Match Point

Portugal sonha (e bem) com medalhas

Opinião

CIRO FUSCO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Portugal gosta prioritariamente de futebol. Melhor: os portugueses gostam dos seus clubes de futebol, o que não é o mesmo que gostar de futebol, pois poucos são aqueles que reconhecem méritos a um rival que ganhe. Daí, a cultura desportiva nacional se coloque, ainda e não se sabe por quanto tempo mais, num patamar que pouco a tempo a ver com outras realidades, como a espanhola ou francesa, por exemplo. Porém, quando está em causa uma competição com a dimensão dos Jogos Olímpicos e a possibilidade de conquista de medalhas é considerável, a mobilização acontece. Como agora, em Tóquio, onde, realmente, há um lote de atletas muito capacitado para chegar ao pódio.

Mesmo ao ouro. E o ouro olímpico (tal como ser campeão mundial para um futebolista) é o máximo na carreira de um atleta. Que o digam Carlos Lopes – passaram a correr 37 anos desde aquela fantástica noite em Los Angeles, ponto de partida para muitas outras jornadas de glória do Desporto luso, pois o antigo atleta provou que se ele fazia parte da nata, outros podiam segui-lo… e seguiram-no -, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson Évora, o último português a voar (no triplo salto) para o lugar a que só os melhores conseguem chegar, em Pequim-2008 – a última medalha data dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, e foi conseguida no judo (bronze) por Telma Monteiro, ela que, juntamente com Évora, elevaram a bandeira nacional na cerimónia de abertura, em Tóquio.

Este jejum de 13 anos (deviam ser 12…) tem tudo para chegar ao fim no Japão, naqueles que serão os mais, como dizer, “esquisitos” Jogos Olímpicos de sempre. Por força da maldita pandemia que continua a trazer desgraça, independentemente dos esforços que a maioria de nós faz – era impossível não haver infetados, mesmo com tantas restrições, contactos e testes -, mas muito particularmente (sem falar nas imensas dificuldades que são colocadas aos jornalistas) pela ausência de público. Julgava-se que atrasar a realização das provas em um ano resolveria a situação, teimosamente não aconteceu. Portanto, mesmo sem público, que comecem os Jogos… que Portugal tem pressa em chegar às medalhas.

NO ATLETISMO, NO JUDO, NA CANOAGEM…

Correndo o risco de sofrer uma grande desilusão, estou otimista como muitos milhões de compatriotas, porque no lote de 92 atletas que estarão em competição há uns quantos que têm tudo para nos dar uma enorme alegria coletiva. Bem sei que na hora de competir há fatores – eu que pude sentir ao vivo o sofrimento do grande Fernando Mamede… - que tudo podem alterar, mas antes do tiro de partida ninguém me pode retirar esse sentimento de vitória que me invade, agora que a competição se iniciou.

Para o ouro tenho quatro fortíssimos candidatos: Patrícia Mamona, Auriol Dongmo e Pedro Pichardo, no atletismo, Jorge Fonseca, no judo, e Fernando Pimenta, na canoagem, pois todos eles estão habituados às grandes competições e vencer faz parte do seu quotidiano. Estou a exagerar? Eventualmente. Só que, observadas competições do mesmo nível e respetivas tabelas, este quinteto faz parte daquela nata da qual fazia parte o campeoníssimo Carlos Lopes. Mas há mais candidatos a grandes classificações.

Quem? Telma Monteiro, no judo, João Almeida, Nélson Oliveira e Maria Martins, no ciclismo, João Vieira, no atletismo, Rui Bragança, no taekwondo, ou Gustavo Ribeiro, no skate. Se os ventos estiverem de feição, a vela também pode ser uma boa surpresa, sem esquecer a equipa de ténis de mesa (Marcos Freitas é um dos melhores a nível global) e, muito especialmente, a equipa de andebol. Os “Heróis do Mar”, por aquilo que têm conseguido sustentadamente nos últimos meses, não devem ser descartados da possibilidade de um brilharete.

O tempo é, portanto, de Jogos Olímpicos e de otimismo nacional. (o que deixa, até começar o futebol a valer – no dia 31 temos a final da Supertaça e no primeiro fim de semana de agosto arranca a Liga – todas as suas discussões e contratações, num plano secundário). E que bom seria que no dia 8 do mês que vem, data em que se começam a olhar os Jogos 2024, em Paris, pudesse estar aqui a cantar grandes desfechos de alguns dos melhores atletas de sempre de Portugal!

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