Match Point

Obrigado por tudo, Telma Monteiro

Opinião

TIAGO PETINGA

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Não faço a mínima ideia se Telma Monteiro, uma das maiores atletas da história do Desporto português estará com as cores nacionais nos próximos JO, em Paris, dentro de três anos, mas daqui, desta modesta coluna, curvo-me perante as constantes alegrias que me deu, estou-lhe eternamente agradecido por tudo o que fez e compreendo, tão bem como tantos outros milhões, as suas lágrimas de tristeza pela eliminação em Tóquio.

O currículo de Telma é impressionante, com destaque para o bronze nos JO do Rio de Janeiro, única medalha, aliás, da delegação lusa, mais cinco vezes campeã da Europa e quatro vezes vice-campeã do Mundo, aos quais se junta o quanto tem sido importante no incremento (juntamente com outros atletas do seu patamar) por uma modalidade com tantos praticantes, resultado do seu exemplo nesse particular, mas também como cidadã. Telma Monteiro é um exemplo que muitos jovens deviam seguir. Só seguir, porque chegar ao seu nível desportivo não está ao alcance de todos.

Por tudo o que viveu e, repito, nos tem dado, percebi perfeitamente as suas lágrimas. Não foram de frustração por ter sido derrotada – perder e ganhar faz parte do quotidiano de um campeão -, mas de tristeza por não ter conseguido corresponder como tanto desejava. Porém, pode esse combate menos conseguido deixar marca numa carreira brilhante? Para mim, não! Porque, reafirmo: obrigado Telma Monteiro pelo muito que me (nos) deu! E se puder estar em Paris, pois que esteja. Pois se estiver, uma coisa é garantida: será ao nível competitivo de sempre. Porque ganhar e perder… é normal entre campeões.

MEDALHAS À ESPERA DE PORTUGAL

Até esta altura, não se pode dizer que a comitiva nacional tenha conseguido resultados surpreendentes. Mesmo assim, Catarina Costa (judo), Gustavo Ribeiro (skate), João Almeida (ciclismo) e as meninas do surf, Yolanda Hopkins e Bonvalot, tiveram desempenhos credores da nossa admiração, tendo em conta a qualidade das competições e a categoria de muitos dos rivais.

Porém, continuo a acreditar que o melhor estar para vir e que virão na bagagem medalhas no regresso a casa. Há um quinteto em quem se deve acreditar a tempo inteiro e a batalhar pelo lugar mais alto do pódio: Auriol Dongmo, Pedro Pichardo, Patrícia Mamona, Fernando Pimenta e Jorge Fonseca. Com a possibilidade de acontecer mais uma ou outra surpresa, dada a qualidade do grupo de atletas. Estou muito otimista? Eventualmente…

Quanto ao global dos JO até agora, pelo que tenho visto – e não falo do plano organizativo, pois a pandemia afeta muita coisa – duas notas, para a medalha de ouro no skate feminino (a vencedora, a japonesa Momiji Nishiya tem 13 anos e 330 dias - a medalha de prata, a brasileira Rayssa Leal, ainda é mais nova, com menos quatro meses) e para a derrota da seleção de basquetebol masculino dos EUA frente à França: chamar a este grupo “dream team” é insultar quem os antecessores! Por muito que isso custe ao lendário Greg Popovich.

RUI COSTA SOMA MAIS PONTOS

Nem o mais atento, devoto e experimentado benfiquista pode garantir como estará o clube dentro de três ou quatro meses como rescaldo do enorme tsunami que se abateu sobre a Luz, até porque nem sequer se faz a mínima ideia de que se nomes se apresentarão a sufrágio, mantendo-se certo que a melhor forma de se preparar o Benfica do futuro é a sua passagem pelas urnas – o “balão de ensaio” em torno de Luís Filipe Vieira (leia-se manifestação de apoio na Luz) deixou claro que o anterior líder dificilmente entrará nessas contas. Mas, enquanto o mais nobre de todos os atos num clube não chega, Rui Costa, que ficou com a liderança da maior instituição desportiva portuguesa em mãos, tem somado muitos pontos.

Depois de ter garantido a gestão ativa, e efetiva, da nau, mantendo a funcionar todas as áreas, especialmente o futebol profissional, tendo-o dotado, dentro da medida do possível, com mais algumas armas – João Mário, Gil Dias e Meité -, contribuindo, paralelamente, para o acalmar da agitação, de todo fundamental para que o próprio Benfica deixe entender o que pretende, conseguiu mais uma pequena grande vitória: o novo empréstimo obrigacionista foi aprovado e entraram nos cofres 35 milhões de euros. Sim, o número de subscritores foi metade do anterior empréstimo, mas tendo em conta a situação atual deixa claro que o novo presidente continua com crédito. Se será ele um dos candidatos já é coisa para se analisar lá mais para diante…

MERCADO CONTINUA MUITO MORNO…

Sem grandes entradas e saídas, porque é cada vez mais escasso o dinheiro no futebol, bem se pode dizer que segue morno este mercado, sem deixar de se reconhecer que a possibilidade de as movimentações apertarem ainda têm um espaço temporal considerável: 31 de agosto. Nesse sentido, sem menosprezo pelo futebolista, que chega do futebol italiano, a entrada de Meité no Benfica em nada se compara à chegada à Luz de João Mário. Porque o internacional português foi campeão no Sporting e porque o no seu currículo está gravado, a letras de ouro, o título de campeão europeu, em 2016.

Se no que diz respeito a entradas o ambiente é este, no que respeita a saídas a situação não é melhor. Aliás, a mais sonante mudança relacionada com o futebol português, aconteceu no estrangeiro, com a passagem de Rui Patrício, melhor guarda-redes luso do presente, do Wolverhampton, agora treinado por Bruno Lage, para a Roma, do titulado José Mourinho. Porém, particularmente para os lados da Luz, não deixa de ser surpreendente que futebolistas como Samaris, Gabriel, Chiquinho e Jota tenham sido afastados do plantel de JJ, porque se esperava que tivessem algum mercado. Já para os lados de Alvalade, com um razoável lote de futebolistas para colocar – Renan, Ilori, Sporar, Camacho… -, aconteceu o que desde meio da época passada se admitia: o jovem, e prometedor, Eduardo Quaresma foi emprestado ao Tondela. Da minha observação, não entendo tal como um bom sinal…

UMAS QUANTAS SURPRESAS NA TAÇA DA LIGA

O futebol a valer já teve início em Portugal, com a realização da primeira fase de uma competição que continua longe de merecer o carinho dos adeptos, exceção para o dia em que se atribui o troféu, a Taça da Liga. A verdade é que na primeira ronda a eliminar ficaram pelo caminho cinco emblemas do escalão principal, alguns deles eliminados com estrondo, como foram os casos da Belenenses SAD, que não resistiu em Mafra, do primodivisionário Vizela, eliminado pelo novo Estrela da Amadora, e o Moreirense, afastado pelo Penafiel. A estes, juntam-se Tondela e Marítimo, afastados nos seus ambientes, respetivamente, por Gil Vicente e Boavista. Mas, como no fim de semana que aí vem – o mesmo em que tem lugar a decisão da Supertaça, entre o campeão nacional, Sporting, e o vencedor da Taça de Portugal, Sp. Braga, jogo a ter lugar sábado, em Aveiro – tem lugar a segunda fase da competição, que ninguém se admire que mais surpresas aconteçam, porque futebol sem surpresas…

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