Match Point

Jorge Fonseca ensinou-lhes o caminho!

Opinião

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Portugal já conhece o caminho das medalhas. Em Tóquio, a proeza pertenceu a um desportista da primeira linha da elite mundial: o judoca Jorge Fonseca. O bicampeão mundial conquistou o bronze, chorou quando perdeu a possibilidade de chegar ao lugar mais alto do pódio, mas lá por isso ter acontecido não deixa de ser aquilo que é desde há tempo considerável: continua a ser de ouro! De ouro, porque se trata de um atleta acima da média, num país onde o patamar médio é muito mais baixo do que aquele em que se encontra, de ouro, também, porque continua a ser um ser humano excecional, exemplo que muitos de nós devem seguir.

Jorge Fonseca, para mim que continuo otimista relativamente à participação lusa nos Jogos Olímpicos, ensinou o caminho à comitiva que ainda falta competir rumo a um resultado na Ásia que continuo a pensar que pode ser histórico. Acredito, sem sofismas, que o caminho de mais medalhas começou naquele tapete, onde o enorme judoca (em tamanho, talento e perfil) deu tudo o que tinha pelo sonho de chegar ao ouro, que é (aquilo que se passou com Simone Billes só deve ser melhor aprofundado depois da competição encerrar…) o objetivo da esmagadora maioria de que entra em competição.

E agora que começou o atletismo, e vai iniciar-se a canoagem, acredito que se aproximam manhãs (pela diferença horária) de muita felicidade, como o confirmaram os apuramentos de Patrícia Mamona e Auriol Dongmo, a quem se devem juntar Pedro Pichardo e Fernando Pimenta. Se estes confirmarem o potencial que possuem – que está ao nível competitivo de Jorge Fonseca – vão ser muitos os sorrisos de Portugal no Japão. Onde mesmo sem vencer, a seleção de andebol continua a jogar muito bem. E ainda não perdeu de vista o seu objetivo.

RUI COSTA… MUITO CONFORTÁVEL

Teve lugar a primeira “entrevista de estado” do novo presidente do Benfica, Rui Costa. Primeiro reparo, comum a tantos outros dirigentes, exceção para Pinto da Costa, que nesse particular privilegia sempre o canal do clube: a nova primeira figura benfiquista, até pelo quadro existente, mesmo aceitando que a conversa num canal generalista abrange mais associados e adeptos, devia defendido as suas ideias na BTV. Segundo reparo: vista e revista a conversa, Rui Costa esteve sempre muito confortável, mas a conversa foi-lhe muito favorável.

No presente, os benfiquistas estão muito mais preocupados com presente e futuro do que com o passado – essas contas serão acertadas mais para diante, num cenário completamente diferente, eventualmente com base na auditoria que aí vem e que vai demorar o seu tempo – e, nesse sentido, com todo o respeito, Rui Costa levou a entrevista para onde pretendia, até porque faltaram respostas a questões que são caras ao universo encarnado, particularmente todas aquelas que dizem respeito à mudança de gestão prevista.

Uma coisa ficou clara: ninguém pode dizer que depois de ultrapassado o presente, veremos o agora líder submeter-se a sufrágio. A ideia de que nunca será “o príncipe herdeiro” não foi esclarecedora. Nem mesmo se a sua ida às urnas está dependente do que poderá acontecer neste início de agosto, onde se joga muito do futuro desportivo do clube. Chegar à Champions é fundamental e Rui Costa sabe que passa por aí grande parte da estrada que o pode levar, como parece pretender, à cadeira do poder.

A SUPERTAÇA COMO GRANDE APERITIVO

Depois das primeiras rondas na Taça da Liga e do Santa Clara ter garantido, de forma indiscutível, em ano de estreia da competição (e da sua entrada nas provas europeias), a continuidade na “Conference Cup”, frente aos macedónios do Shkupi, é tempo de se discutir a conquista do primeiro troféu da temporada, a Supertaça, entre o campeão Sporting e o vencedor da Taça de Portugal, Sp. Braga.

Nesta altura da época é muito complicado atribuir-se favoritismos. Os leões foram a melhor equipa da temporada anterior, os minhotos ficaram um pouco aquém na Liga, mas venceram a última prova do calendário e é num quadro mais equilibrado que vão encontrar-se em Aveiro, na noite deste sábado (finalmente com algum público nas bancadas). O Sporting já não tem João Mário, não vai ter Porro, por lesão – mas terá Ricardo Esgaio -, mas mantém a maioria dos futebolistas campeões e a mesma ideia de jogo, o mesmo se podendo dizer dos bracarenses que mantém as suas principais figuras (perderam Esgaio para Alvalade) e ganhou o concurso de Paulo Oliveira (um antigo leão) e de Mário González, um ponta de lança que marcou muitos golos em Tondela.

Para início de conversa futebolística, estamos perante um excelente aperitivo. Veremos se o jogo confirma essa ideia, mas, por norma, os confrontos entre os dois emblemas têm qualidade. Os golos são, quase sempre, em dose contida, mas no resto… Assim sendo, que comece, então, se me é permitido, a luta pelas conquistas.

► A PÁGINA DO MATCH POINT

  • 2:29