Muro de Berlim caiu há 30 anos

População do leste da Alemanha caiu para níveis de 1905

Se Dresden (na foto) ou Leipzig, na antiga República Democrática Alemã (RDA), crescessem ao mesmo ritmo das cidades do ocidente, teriam o dobro do tamanho, com mais de um milhão de habitantes cada, lê-se neste estudo.

Pawel Kopczynski / Reuters

Um estudo do instituto de investigação económica alemão Ifo revelou que, enquanto os números da população residente no oeste da Alemanha continuam a subir, no leste os valores são os mais baixos desde 1905.

"Depois de 30 anos da queda do muro de Berlim, continuamos a ver duas Alemanhas separadas: a Alemanha ocidental regista o maior número de pessoas de sempre, já na Alemanha oriental a população caiu para níveis registados em 1905, altura em que existiam carroças puxadas por cavalos e iluminação a gás", revelou à agência Lusa o autor do estudo Felix Rösel.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o leste da Alemanha perdeu cerca de cinco milhões de habitantes, enquanto a Alemanha ocidental ganhou 20 milhões de pessoas. Antes, a densidade populacional no país era praticamente igual.

"Há três razões. Primeiro, milhões de jovens da Alemanha oriental fugiram do comunismo para o ocidente até à construção do muro de Berlim, em 1961. O segundo motivo prende-se com o facto de a Alemanha ocidental ter convidado muitos trabalhadores da Itália, Turquia e outros países do sul da Europa na década de 60, enquanto as fronteiras da Alemanha oriental permaneciam praticamente fechadas", explica o investigador de pós-doutoramento do gabinete de Dresden do instituto Ifo.

Um terceiro motivo apontado no estudo refere a fuga de milhões de jovens da Alemanha oriental para o ocidente, depois da reunificação, por causa do desemprego e da desindustrialização.

Se Dresden ou Leipzig, na antiga República Democrática Alemã (RDA), crescessem ao mesmo ritmo das cidades do ocidente, teriam o dobro do tamanho, com mais de um milhão de habitantes cada, lê-se neste estudo.

O autor do estudo, intitulado "O impacto da divisão da Alemanha é completamente subestimado", admite que "o debate público na Alemanha é muito limitado à renda e aos salários, onde a diferença entre o oriente e o ocidente tem vindo a diminuir."

"A diferença na população, pelo contrário, está a ficar cada vez maior. E não são apenas estatísticas, há consequências sérias. A diminuição da população significa casas vazias, ruas sem ninguém. Muitas comunidades na Alemanha oriental estão envelhecidas e despovoadas. Algumas cidades perderam metade da sua população desde 1990. Isto ameaça severamente a coesão social", avisa Felix Rösel.Reverter o "declínio dramático" da população da Alemanha de leste é "praticamente impossível", lamenta o investigador."Os subsídios para as zonas rurais podem atenuar um pouco essa tendência. A descentralização é outra estratégia promissora. Isso significa menos padrões nacionais e mais autonomia para as comunidades da Alemanha oriental. Os governos locais precisam de encontrar a sua forma de lidar com a diminuição da população e o envelhecimento rápido", defende o autor do estudo do Ifo.Rösel remata frisando a importância de promover a coesão social, tanto nas cidades, como nas zonas rurais da antiga RDA.A queda do Muro de Berlim ocorreu ocorreu em 09 de novembro de 1989 e abriu o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 03 de outubro de 1990.