Muro de Berlim caiu há 30 anos

Aplicação de telemóvel faz viagem aos tempos de Berlim dividida

Dois narradores, um do Oeste, outro do Leste, contam a história de um muro que dividiu um território, mas também partiu vidas a meio.

Uma aplicação de telemóvel recorre à realidade aumentada para mostrar o muro de Berlim como ele era até 1989 e as várias fases da cidade dividida.

"Esta é a história do muro", começa por contar a MauAR app. Uma espécie de radar indica que estamos a pouco mais de 50 metros da zona onde já existiu muro. De um lado do ecrã, uma mancha azul representa Berlim ocidental, do outro lado, a vermelho, a zona oriental. Dois narradores, um do Oeste, outro do Leste, contam a história de um muro que dividiu um território, mas também partiu vidas a meio.

"Tive a ideia há dois anos, quando a realidade aumentada (RA) começou a ficar disponível para os utilizadores comuns. Fiquei completamente entusiasmado com a tecnologia. Pensei que queria utilizar esse recurso para algo que tivesse significado, e não para um jogo", revelou Peter kolski, o administrador da BetaRoom que desenvolveu a MauAR app.

"A utilização é bastante abrangente. Pode ser usada dentro da cidade, mas também noutros sítios, noutros países. A experiência mais autêntica é quando usamos a aplicação junto à fronteira, onde antes estava o muro. Primeiro ela reconhece o chão, faz uma espécie de radiografia e, a partir daí, constrói o muro", descreve.

A aplicação surgiu através de uma cooperação estreita com a Fundação Muro de Berlim. Kolski elaborou um protótipo e depois decidiu criar uma empresa para poder desenvolver a ideia "da melhor forma".

"Quando usamos a MauAR app junto ao muro, podemos vê-lo como era originalmente, conseguimos experimentar a sensação real de tê-lo à nossa frente. Mas estando em Portugal, também é possível 'construir' o muro e perceber a história", adianta.

"É igualmente possível ver as fases do muro, uma primeira em que só existia uma divisão, uma segunda em que já existiam dois muros, as torres de vigia e o corredor da morte, e uma terceira fase em que se vê um muro com o topo arredondado, como ficou depois conhecido. É possível ir atravessando estas fases para entender como foi a construção e a evolução", acrescenta o criador da aplicação lançada há dois meses nos dispositivos android e iOS.

Mas a aplicação "não consiste apenas em ver o muro de pé", também "conta a história como se de um filme se tratasse, em realidade aumentada". Para isso existem dois narradores, um de cada lado, que vão explicando os contornos políticos da época.

Peter Kolsi, com 38 anos, chegou a Berlim ocidental aos três meses, vindo da Polónia, sob o regime comunista. Sempre gostou de mostrar a cidade e admite sentir-se muito ligado à história e às mudanças constantes que a cidade tem vivido nas últimas três décadas.

Não revela o número de downloads feitos nos últimos dois meses, confessando-se mais preocupado com a qualidade da utilização do que com a quantidade.

"As pessoas que viviam em Berlim nessa altura, recordam a vida de então através da app. Esse é o bom retorno que temos tido. Pessoas que nos dizem que recordam a infância ou então como foram felizes quando o muro caiu. Muitos pensavam que não iam estar vivos para ver a queda do muro", sublinha.

A MauAR app está inserida nas celebrações oficiais dos 30 anos da queda do muro de Berlim, que decorrem entre os dias 4 e 10 de novembro.

"Durante a semana do festival vamos ter cinco locais na app ligados à queda do muro de Berlim. Por exemplo, as manifestações prévias que decorreram em Alexanderplatz ou nas portas de Brandeburgo. As pessoas vão poder ver isso durante esses dias", desvenda.

Lusa