Orçamento do Estado

Presidente da República diz que está fora de questão dissolver Parlamento

FILIPE FARINHA

Marcelo Rebelo de Sousa garante que "não vai alinhar em crises políticas".

O Presidente da República diz que está fora de questão dissolver o Parlamento por falta de entendimento quanto ao Orçamento do Estado para 2021. Em declarações aos jornalistas, no início de uma visita à Feira do Livro de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa pediu aos partidos que se entendam e deixou um aviso.

"Uma crise política ou a ameaça de crise política é ficção

"O Presidente da República não vai alinhar em crises políticas, portanto, desenganem-se os que pensam que, se não houver um esforço de entendimento, vai haver dissolução do Parlamento no curto espaço de tempo que o Presidente tem para isso, que é até ao dia 08 de setembro".

"Isso é uma aventura. Em cima da crise da saúde e da crise económica uma crise política, era a aventura total. A alternativa seria uma crise a prazo, isto é, o Presidente empossado no dia 9 de março, seja ele quem for, estar a dissolver para eleições em junho. Isto não existe, isto é ficção. Portanto, uma crise política ou a ameaça de crise política é ficção", acrescentou.

"São todos obrigados a pensar no interesse nacional"

O chefe de Estado referiu que irá receber os partidos com representação parlamentar quando houver uma proposta de lei de Orçamento do Estado para 2021 e aconselhou-os a "dialogarem, falarem, ver como é que se viabiliza um Orçamento que é fundamental para a utilização dos fundos que vêm de Bruxelas, para o plano de recuperação que é tão necessário".

"Naturalmente que pluralismo é pluralismo, ninguém é obrigado a violentar a sua consciência, mas são todos obrigados a pensar no interesse nacional", defendeu.

O que se pode esperar das reuniões do Orçamento para 2021

O primeiro-ministro vai reunir-se na sexta-feira, em São Bento, com Bloco de Esquerda, PAN e PEV para procurar um acordo político de legislatura, incluindo desde logo a aprovação do Orçamento do Estado para 2021.

Na sexta-feira, no período da manhã, António Costa vai receber primeiro o Bloco de Esquerda e depois o PAN. Na parte da tarde, o líder do executivo irá reunir-se com o PEV.

PCP não vai à reunião

O primeiro-ministro tinha anunciado reuniões com os partidos esta sexta-feira, em São Bento, mas os comunistas alegam não ter disponibilidade.

O PCP será o único partido à esquerda do PS a falhar o encontro e é possível que os comunistas só se encontrem com o Governo depois da Festa do Avante.

De acordo com a Lusa, que cita fonte do Executivo, o PCP solicitou "um reagendamento da reunião" com o primeiro-ministro, António Costa, e os contactos com os comunistas "vão prosseguir ao nível técnico".

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