Orçamento do Estado 2017

Mota Soares entende que OE 2017 significa oportunidade perdida

MIGUEL A. LOPES

O deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares considerou esta terça-feira que o Orçamento do Estado para 2017 "significa uma oportunidade perdida", tendo em conta a atual conjuntura, apontando que o Portugal devia estar a ter um "choque de investimento".

"Este orçamento significa, infelizmente, uma oportunidade perdida", tendo em conta as circunstâncias internacionais em que os juros estão baixos, o valor do petróleo também e Portugal está com um crescimento semelhante a outros países, afirmou Pedro Mota Soares, dirigindo-se ao ministro da Economia, que está a ser ouvido no âmbito do debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2017.

Mota Soares alertou que este conjunto de fatores não vai "perdurar para sempre", pelo que Portugal "devia estar a fazer tudo para aproveitar toda esta circunstância", através de um "choque de investimento".

Relativamente à estimativa rápida do INE, que divulgou que a economia portuguesa cresceu 1,6% no terceiro trimestre do ano em termos homólogos e 0,8% face ao trimestre anterior, Pedro Mota Soares afirmou: "Nunca verá o CDS fazer uma figura lamentável a dizer que lamenta", numa alusão feita a reações do PS no passado, "quando temos crescimento económico".

Nem "nunca verá [o CDS] dizer que é um super crescimento", acrescentou o deputado, referindo-se às declarações feitas anteriormente pelo deputado socialista Carlos Pereira, que se tinha referido a "super crescimento".

O deputado questionou o "que será 1,6%". E continuou: "Será hiper crescimento? Mega crescimento, se calhar o deputado Carlos Pereira deveria dizer um giga".

Pedro Mota Soares questionou ainda o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, se vai rever o crescimento de 2016 e 2017 e apontou que "nem tudo vai bem no reino da Economia", salientando que o primeiro-ministro tem de "tirar um dia por semana para fazer de ministro da Economia", visitando as empresas.

Além disso, questionou o impacto do imposto de empresas com refrigerantes com açúcar, citando o caso da Refrige, "que já anunciou que vai suspender um investimento de 40 milhões de euros que ia criar mais 100 postos de trabalho".

"Está satisfeito com esta mesma consequência", perguntou.

Outro dos temas levantados foi o regime de reavaliação dos ativos, que segundo o deputado "cria um regime muito benéfico para as grandes empresas", pelo que o CDS vai "propor a revogação da medida".

Manuel Caldeira Cabral está a ser ouvido desde cerca das 16:00 numa audição conjunta pelas comissões de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa e de Economia, Inovação e Obras Públicas, no âmbito do debate na especialidade do OE2017.

Lusa