Polígrafo SIC Europa

Transição digital pode levar à perda de postos de trabalho?

Andreas Gebert

União Europeia quer uma Europa mais digitalizada, mas com isso há que tema que se percam trabalhos para máquinas e robots de inteligências artificial.

Um dos requisitos dos fundos da União Europeia alocados ao Plano de Recuperação e Resiliência é que 20% destes recursos sejam aplicados à transição digital. Mas muitos perguntam se a digitalização da sociedade irá tirar postos de trabalho às pessoas e substituí-los por soluções de inteligência artificial.

Será assim?

Um inquérito do Eurobarómetro entrevistou 27,901 pessoas sobre as atitudes perante o impacto da digitalização e automação das atividades do dia-a-dia. 75% dos europeus considera que a digitalização tem um impacto positivo na economia. Mas, em sentido contrário, 74% dos inquiridos acha que a digitalização vai substituir mais postos de trabalho do que criar novas oportunidades. Esta convicção está também associada à ideia de que certos trabalhos podem ser feitos por robots ou máquinas de inteligência artificial. Pode consultar o inquérito aqui.

A Comissão Europeia tem como objetivo desenvolver, até ao final do mandato, um Mercado Único Digital, nomeadamente em seis áreas: cultura, futuro, vida, confiança, compras e conectividade. Segundo o site da Comissão “a digitalização não é uma escolha, mas é algo necessário para os negócios europeus e a economia como um todo. Este projeto irá trazer mais oportunidades, mas também repercussões e, acima de tudo, mudança: alguns trabalhos vão ser substituídos, outros vão ser criados e muitos trabalhos vão ser transformados”.

A OCDE estima que 9% dos trabalhos vão passar a ser automatizados. De acordo com o relatório “A concept paper on digitisation, employability and inclusiveness” não é possível estimar quantos empregos é que vão ser substituídos, mas a Comissão Europeia admite que são necessárias políticas públicas para ajustar o mercado de trabalho às transformações digitais na economia. Estas medidas devem concentrar-se em políticas de proteção do trabalho, redistribuição que reduza a desigualdade de grupos que possa resultar na polarização do mercado e ainda na educação para reforçar as competências dos trabalhadores para o mercado digital. Mas tudo isto deve ser implementado pelos Estados-Membros.

No Plano de Recuperação e Resiliência, estão destinados 650 milhões de euros para a capacitação digital, transição digital e catalisação da transição digital das empresas, no terceiro eixo de atuação: a transição digital. Segundo o documento, prevê-se que com estas medidas seja possível requalificar 36 mil trabalhadores e apoiar 30 mil Pequenas e Médias Empresas. Além disso, o plano estima, ainda, que com estas medidas o Estado seja capaz de formar 800 mil trabalhadores com competências digitais.

É por isso verdade que a transição digital pode colocar em causa determinados postos de trabalho, mas estas medidas apontadas podem gerar novas oportunidades e requalificar a sociedade para exercer novas funções. A par das medidas de transição digital estão também integradas políticas de apoio às empresas e aos trabalhadores.

Avaliação Polígrafo SIC Europa: Verdadeiro, mas...

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