Protestos na Catalunha

Independentistas catalães continuam a protestar contra sentença de líderes políticos

ENRIC FONTCUBERTA

Três pessoas foram detidas e mais de 170 receberam cuidados médicos, incluindo 40 polícias e uma pessoa que perdeu um olho.

Os movimentos independentistas catalães continuaram esta terça-feira a manifestar o seu descontentamente contra a sentença que na segunda-feira condenou alguns dos principais líderes políticos responsáveis pela tentativa de independência de 2017.

As redes de transportes na Catalunha foram as infraestruturas mais afetada pelos grupos mais violentos de separatistas que desde segunda-feira seguem as instruções de uma organização desconhecida até agora e autodenominada "Tsunami democrático".

Várias estradas foram cortadas hoje durante o dia, nomeadamente a conhecida autoestrada AP-7 que liga Barcelona a França, e linhas do sistema de caminhos-de-ferro também foram afetados por militantes radicais.

Segundo as forças de ordem, três pessoas foram detidas e mais de 170 receberam cuidados médicos, incluindo 40 polícias e uma pessoa que perdeu um olho, durante os confrontos entre os manifestantes e a polícia na noite de segunda-feira e madrugada de hoje no aeroporto internacional de Barcelona.

O ministro do Interior (Administração Pública) espanhol, Fernando Grande-Marlaska, revelou que o misterioso "Tsunami democrático" estava a ser investigado e estão previstas para hoje ao fim do dia mais movimentos de protesto.

O presidente independentista do Governo regional catalão, Quim Torra, continuou hoje a alimentar os movimentos de contestação, assegurando que não irá "desfalecer nunca" no exercício do direito à autodeterminação da Catalunha.

"Nunca iremos desfalecer no exercício do direito à autodeterminação", prometeu Quim Torra num discurso durante a cerimónia no cemitério de Montjuic, em Barcelona, em memória do ex-presidente do executivo catalão Lluís Companys, fuzilado pelo regime franquista há 79 anos, em 1940.

Na segunda-feira, o Tribunal Supremo espanhol condenou os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

Ao todo eram 12 os separatistas que aguardavam a leitura da sentença pelo seu envolvimento nos acontecimentos que levaram ao referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado em 01 de outubro de 2017 e à declaração de independência feita no final do mesmo mês.

Nove deles já estavam presos preventivamente, enquanto o ex-presidente do executivo regional Charles Puigdemont faz parte de um grupo de separatistas que continuam no estrangeiro e que não foram julgados.

Lusa