Protestos na Catalunha

Ex-presidente do governo catalão sai em liberdade, Madrid apela à extradição de Puigdemont

Francois Lenoir/ Reuters

A justiça belga libertou o ex-presidente do governo regional da Catalunha. Carles Puigdemont, acusado de delitos de sedição e má gestão de fundos públicos no âmbito do processo independentista da Catalunha, compareceu esta manhã voluntariamente "acompanhado pelos advogados" perante as autoridades belgas.

O ministro do Interior do governo espanhol em funções, Fernando Grande-Marlaska, disse hoje que o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, fugido na Bélgica, "deve ser entregue a Espanha" para ser julgado.

Entrevistado pela publicação digital RAC1, Grande-Marlaska disse acreditar que a justiça belga vai acabar por extraditar o ex-presidente do governo regional da Catalunha, que se apresentou hoje voluntariamente às autoridades de Bruxelas, no seguimento da ordem europeia de detenção e extradição emitida pelo Tribunal Supremo de Espanha na segunda-feira, mas recusando entregar-se.

Em comunicado, Puigdemont refere que "está a cumprir todos os passos oficiais que acompanham o procedimento" acrescentando que se opõe à "entrega a Espanha".

A Procuradoria de Bruxelas encontra-se à espera de que a Justiça espanhola remeta uma tradução da ordem de detenção e extradição e os documentos anexos, que foi reativada esta semana pelo juiz Pablo Llarena do Tribunal Supremo.

A nova ordem de detenção e extradição foi emitida depois de terem sido conhecidas as sentenças aos políticos implicados no processo independentista catalão e que atingiram penas que vão até aos 13 anos de prisão.

Independentistas pacíficos contra violência de minoria de radicais

Os militantes independentistas catalães, na sua grande maioria pacíficos, sentem-se ultrapassados pela situação provocada por jovens radicais violentos cuja ação, diz um analista contactado pela Lusa, apenas vai beneficiar Madrid a justificar-se perante a comunidade internacional.

"Estou muito triste com o que está a acontecer. A esmagadora maioria dos apoiantes da independência querem que o processo seja pacífico e está contra estas manifestações de violência", assegurou à agência Lusa Francesc Llaquet, analista numa organização não-governamental.

Há quatro dias consecutivos que grupos de jovens radicais independentistas protagonizam atos violentos, no seguimento de concentrações pacíficas ao fim do dia, e enfrentam a polícia que tem tido dificuldade em os deter.

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017.

A noite de quinta-feira também foi caracterizada pelo aparecimento de um grupo de extrema-direita a favor da unidade de Espanha que atacou militantes independentistas.

Com Lusa