Protestos em Hong Kong

Detidos sete elementos pró-democracia em Hong Kong

JEROME FAVRE

Entre os sete detidos estão quatro deputados e todos foram detidos por estarem implicados nos confrontos ocorridos em maio.

Sete membros da oposição pró-democracia em Hong Kong foram hoje detidos por estarem implicados nos confrontos ocorridos em maio, no parlamento da região administrativa especial chinesa, anunciou a polícia.

Os sete, incluindo quatro deputados, foram detidos por "ofensa e obstrução" ao trabalho dos membros do Conselho Legislativo (LegCo), indicou a polícia.

Apenas metade dos membros do LegCo são eleitos por sufrágio universal, sendo os restantes designados de acordo com um sistema jurídico que assegura a maioria ao bloco pró-governamental.

Os confrontos são frequentes no LegCo, com a oposição pró-democracia a recorrer a alguns instrumentos jurídicos de que dispõe para obstruir os trabalhos e tentar impedir a votação de diplomas que rejeita.

A 8 de maio, os confrontos surgiram com a direção da Comissão da câmara (House comittee), cujo papel é rever as propostas de lei antes de serem analisados pelos deputados.

Esta comissão estava sem líder desde outubro de 2019, com os eleitos pró-democracia a conseguirem impedir, durante meses, a escolha de um novo responsável.

Naquele dia, uma das deputadas pró-Pequim Starry Lee sentou-se na cadeira do líder, apoiada por uma análise jurídica redigida por advogados do governo. Os eleitos da oposição avançaram com argumentos jurídicos próprios e acusaram Lee de violar a lei.

O caos tomou conta da câmara, com agentes de segurança e parlamentares pró-governamentais a posicionarem-se em torno de Lee, enquanto os pró-democracia tentavam fazer sentar um candidato próprio.

Agentes de segurança retiraram à força vários deputados pró-democracia, ao mesmo tempo que parlamentares rivais exibiam cartazes e filmavam com telemóveis a cena, transmitida em direto em várias redes sociais.

Desde junho de 2019, mais de dez mil pessoas foram detidas em Hong Kong.

A antiga colónia britânica conheceu entre junho e dezembro de 2019 a pior crise política desde a transferência de soberania para a China, em 1997, com manifestações por vezes violentas para denunciar a ingerência de Pequim nos assuntos da sua região semiautónoma.

Em resposta à agitação do ano passado, Pequim impôs, no final de junho deste ano a Hong Kong, uma lei de segurança para dar às autoridades novos poderes para reprimir quatro tipos de crimes: subversão, secessão, terrorismo e concluio com forças externas.

A Lei Básica, que funciona como uma mini-Constituição para Hong Kong e Macau, garante às duas regiões chinesas 50 anos de autonomia a nível executivo, legislativo e judicial, bem como liberdades desconhecidas no resto da China, ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas".