Revista do Ano 2017

A vida é um festival (e ainda bem)

Graça Costa Pereira

Graça Costa Pereira

Editora de Cultura SIC

São mais de 150, quase todos no verão, de norte a sul do País. Alguns gratuitos, parte deles "puxados" para a carteira do cidadão médio; muitos a fazerem parte de uma espécie de "obrigação" anual, uma fuga em jeito de música, uma pausa que se fez moda. Quem não foi este ano a um festival levante o braço. Se tem o braço levantado e menos de 50 anos a pergunta é: como é possível?

Só a equipa de cultura da SIC fez uma cobertura intensiva em quase duas dezenas, dois deles fora do país. Andámos pelo Rock in Rio, no Brasil e passámos por Coachella, nos Estados Unidos. Conceitos e públicos diferentes, motivações (e bandas) semelhantes aos que temos nos festivais nacionais.

Portugal está, cada vez mais, na rota dos grandes concertos. Os festivais tornaram-se moda e servem - sobretudo os de agosto, fora de Lisboa - para passar umas férias "baratas", no meio de amigos, com direito a espetáculo. Os parques de campismo de festivais como o MEO Sudoeste, o Vodafone Paredes de Coura e, até, o EDP Vilar de Mouros, começam a compor-se muitos antes do arranque dos concertos. Quando a festa começa, já se fizeram amigos e já compensou ter montado uma tenda.

SIC acompanha o Meo Sudoeste desde a 1.ª edição

Benjamin Clementine e Ty Segall na última noite doVodafone Paredes de Coura

Bob Geldof atuou no último dia do EDP Vilar de Mouros

Em Lisboa, o NOS Alive esgotou os 3 dias e o Super Bock Super Rock também esteve esgotado no dia de arranque. Nesses tempos de festival, as redes sociais parecem andar ao desafio e, quem não estiver por lá, pelo recinto, não existe. Ou, pelo menos, não existe para os que lá estão. Contam, aqui, os cabeças de cartaz e, de certa forma, o hábito de estar presente. Julho já não é mês sem música à beira rio.

Alive fecha mais uma edição ao som dos Depeche Mode

Super Bock Super Rock termina com Foster the People, Deftones e Fatboy Slim

E o fim de outono traz o Vodafone Mexefest.

Cigarettes after Sex e Moullinex fecharam Mexefeste deste ano

O Porto também já se posicionou com música para todos os gostos, entre o NOS Primavera Sound e o MEO Marés Vivas. Pelo meio, passa-se pela Figueira Foz onde o RFM SOMNNI já faz ondas com a música eletrónica.

A primeira noite do Nos Primavera Sound no Porto

Cerca de 100 mil pessoas na 6.ª edição do festival RFM Somnii

E depois, há a música portuguesa, tão presente em festivais como o Sol da Caparica ou o Festival F, em Faro; ou a música do mundo que o MED, em Loulé e o Festival de Músicas do Mundo, em Sines (e Porto Covo) continuam a receber.

Um resumo da quarta edição d'O Sol da Caparica

Jorge Palma e Miguel Araújo fecharam Festival F

Mayra Andrade atuou na última noite de concertos do MED

E nem referi outros festivais mais pequenos... os que se fazem em Barcelos ou em Tomar (o Bons Sons, sempre a crescer), em Torre de Moncorvo, na ilha de Santa Maria ou em Portalegre. Lembrei-me agora, que há os de fado e os que mais apostam no jazz. Tantos, que nos escapam.

Os festivais são, por vezes confusos, barulhentos e com pó. Mas, são também uma oportunidade para conhecer novos artistas, explorar conceitos, espreitar a diversidade, perder preconceitos, rir, gostar, experimentar e aprender. Vejo pais com filhos, irmãos, amigos, gerações inteiras e muitos que só se cruzam porque ouvem os mesmos sons.

Nem referi as bandas, nem os artistas, em particular. Os festivais já têm nome (e marca).

2018 vai repetir tudo, mesmo que a música mude. E, se não mudar, nalguns casos, já pouco importa.

Quanto a nós, lá estaremos.

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