Revista do Ano 2017

O Mundo em 2017

Catalunha

A pátria de Salvador Dalí esteve este ano de 2017 em convulsão. E não foi devido à exumação do corpo do pintor surrealista catalão face a uma reclamação de paternidade. A Catalunha fraturou-se entre os que reclamam uma república solta da monarquia e os que preferem uma Espanha unida.

A 1 de Outubro um referendo ilegal sobre a independência acabou por ser manchado pela violência policial e o conflito saltou as margens da Região Autónoma da nação Espanhola.

O mundo começou a olhar com mais atenção para o braço de ferro entre Barcelona e Madrid. O parlamento catalão acabou por pronunciar uma Declaração Unilateral de Independência e o governo espanhol aplicou o artigo 155 da Constituição, ou seja, suspendeu a Autonomia da Catalunha.

No meio de uma elevada e prolongada tensão, o Tribunal Supremo decide-se pela detenção de um grupo de dirigentes politicos acusados de rebelião, sedição e uso impróprio de dinheiros públicos. O presidente destituído do governo autónomo Carles Puigdemont foge para Bruxelas.

Madrid convoca novas eleições e o resultado mantém em suspenso o futuro da Catalunha: a primeira força política, Ciudadanos defende a manutenção da região em Espanha mas a maioria parlamentar que resulta dos votos expressa-se nos partidos que defendem a independência.

A distância entre Madrid e Barcelona disparou. Aliás, a última vez que o presidente do Governo Autónomo da Catalunha, o primeiro-ministro de Espanha e o Rei Felipe VI estiveram juntos foi pelas piores razões. Em pleno Agosto, as Ramblas no centro de Barcelona estavam apinhadas de turistas quando uma carrinha branca irrompeu em atropelamentos sucessivos. O atentado provocou 13 mortos e cerca de 100 feridos.

Angola

Quarenta anos depois, o país olha para um "novo pai". As eleições deste verão, as primeiras sem Eduardo dos Santos, colocaram no poder um antigo general que não perdeu tempo a impôr mudanças. Há quem fale numa "pequena revolução".

Outros receiam que seja apenas uma "dança das cadeiras".

General amante de xadrez é o novo Presidente de Angola

O Presidente angolano, João Lourenço

O Presidente angolano, João Lourenço

O aviso de João Lourenço

"Ninguém é suficientemente rico que não possa ser punido, ninguém é pobre demais que não possa ser protegido". O aviso de João Lourenço, deixado a 26 de setembro, na cerimónia de tomada de posse que o consagrou como Presidente da República de Angola, reforçou o optimismo interno.

Quarenta anos depois, o país olha para um "novo pai". As eleições deste verão, as primeiras sem Eduardo dos Santos, colocaram no poder um antigo general que não perdeu tempo a impôr mudanças. Há quem fale numa "pequena revolução". Outros receiam que seja apenas uma "dança das cadeiras".

Reino Unido

O sobressalto de atropelamentos, uso de facas, engenhos explosivos aconteceu por várias vezes no Reino Unido. O mais devastador teve por palco a Arena de Manchester no final de um concerto de Ariana Grande. À saída, uma multidão de adolescentes é sacudida por uma dupla explosão que provocou 22 mortos e 60 feridos.

Londres seria também palco de outros quatro atentados que mantiveram o Reino Unido em estado de alerta. A maioria acabou por ser reclamada pelo Daesh. Um dos ataques, em London Bridge, no coração de Londres, acaba por acontecer em plena campanha eleitoral.

Theresa May convoca eleições gerais para 8 de Junho para reforçar a maioria conservadora no parlamento britânico e ampliar a sua margem política nas negociações do Brexit. O resultado é o oposto, perde a maioria absoluta e fica dependente do acordo parlamentar com os Unionistas da Irlanda do Norte.

Londres foi ainda palco do incêndio na Torre Grenfell, um prédio de alojamento social com 120 apartamentos ao longo de 24 andares. O fogo que teve início num frigorífico galgou a torre vertiginosamente e matou mais de 70 pessoas. A investigação lançou dúvidas sobre a qualidade do revestimento do edificio que continha um tipo de plástico, o polietileno facilmente inflamável.

Macron

As eleições presidenciais em França também decorreram sob fortes medidas de segurança uma vez que a polícia francesa foi o alvo de um atentado nos Campos Elísios em plena campanha eleitoral.

A grande surpresa deste ato eleitoral foi o vencedor Emmanuel Macron, um politico que salta de um quase anonimato para a ribalta da Europa. Macron ainda não tinha completado 40 anos , quando derrotou a líder da extrema direita francesa Marine Le Pen nas presidenciais da primavera.

Christian Hartmann

Pouco depois, o seu novo movimento "Em Marcha" consegue obter uma maioria absoluta nas legislativas provocando um terramoto no sistema politico francês com os partidos tradicionais a sofrerem pesadas derrotas.

O novo inquilino do palácio do Eliseu quer dar nova vida à França no palco internacional: perante a intenção de Donald Trump abandonar o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, Macron desafia cientistas americanos a trabalharem em Paris. Mas Trump será depois o convidado de honra no desfile da Tomada da Bastilha no simbólico 14 de Julho.

Em Angela Merkel, Emmanuel Macron encontrou a parceira favorita para por em marcha o seu projeto de reformas na Europa. Mas a chanceler alemã está numa fase dificil de negociações governamentais depois de ter obtido o seu pior resultado nas legislativas de Setembro.

Daesh

O projeto de califado do Daesh anunciado em 2014 viu o seu ocaso em 2017. A cidade onde Abu Bakr al-Baghdadi pronunciou a intenção de ampliar o território, Mossul, no norte do Iraque, foi palco de severa ocupação e longa batalha para expulsar os extremistas.

O destino do líder mantém-se desconhecido apesar de ter sido dado como morto por diversas vezes. As forças iraquianas e curdas no terreno apoiadas pela coligação internacional desenvolveram uma vasta ofensiva onde terão morrido milhares de pessoas.

O nível de destruição é elevado. Raqqa, a cidade síria que o Daesh elegeu como capital, acabou também por deixar de ser o centro do poder dos jihadistas. A Rússia e o Irão em aliança com o presidente sírio Bashar al-Assad intensificaram as campanhas militares. Muitos dos elementos do Daesh acabaram por cair por terra, outros terão abandonado o território.

Jerusálem

A polémica surgiu já quase no final de 2017. Donald Trump decidiu reconhecer Jerusalém como capital de Israel e manifestar a intenção de mudar a embaixada norte-americana de Telavive para a cidade Santa.

A proposta conheceu o apoio dos dirigentes israelitas mas o resto do mundo repudiou veementemente. Entre os 193 países membros da Assembleia-Geral da ONU 128 manifestaram-se contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, apenas nove apoiaram Washington e 35 abstiveram-se. Trump diz que terá um novo plano de paz israelo-palestiniano mas que ainda não é conhecido.

Coreia do Norte

Ao longo do ano, Donald Trump manteve uma acesa actividade no Twitter que elegeu como seu principal meio de comunicação com o mundo. Num tweet qualificou o líder da Coreia do Norte de "rocket man". Uma entre várias reações aos testes de mísseis com capacidade intercontinental desenvolvidos por Pyongyang.

Em Setembro, surgia a bomba de hidrógeneo norte-coreana e o mundo ficaria suspenso. A opacidade do regime de Kim Jong-un não permite entender a real capacidade do regime norte-coreano, mas desencadea movimentações militares na zona da península coreana. A ameaça de um ataque nuclear permanece.

Ao sul de África

Nelson Mandela foi o símbolo por excelência do ANC (Congresso Nacional Africano) o partido que combateu o regime do apartheid. Sucederam-lhe Thabo Mbeki e o actual presidente da África do Sul Jacob Zuma. Este ano, o ANC elegeu um novo lider, Cyril Ramaphosa. Zuma está envolvido em numerosos escândalos e o partido parece querer afastar-se dessa situação ao escolher um novo dirigente que poderá tornar-se presidente da nação sul-africana em 2019.

Cyril Ramaphosa

Cyril Ramaphosa

Siphiwe Sibeko

No vizinho Zimbabwé , Robert Mugabe foi afastado do poder ao fim de 37 anos. O novo presidente Emmerson Mnangagwa já exercia as funções de vice-presidente o que não é encarado como uma substancial mudança no país, ou seja, o Zimbabwé continua a ser governado por um aliado antigo de Mugabe.

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