Revista do Ano 2018

Porque é que sexismo é uma das palavras do ano

MIKE NELSON

A votação para “Palavra do Ano” decorre até dia 31 de dezembro e a vencedora será conhecida nas primeiras semanas de janeiro de 2019. Pode votar no final deste artigo.

Uma forma de discriminação com base no sexo, feita com base em noções de superioridade. Define ainda a tendência para associar determinados comportamentos, capacidades e papéis sociais convencionais a cada um dos sexos.

Até hoje, nenhum país do mundo alcançou a igualdade de género, assim o diz a diretora executiva da agência das Nações Unidas. Mesmo na Islândia, que tem os mais altos níveis de consciência sobre igualdade de género, persistem problemas como a violência contra as mulheres, desigualdade salarial e sub-representação em cargos de decisão.

Trabalhar mais para ganhar o mesmo

Em Portugal, a desigualdade salarial entre mulheres e homens baixou 0,9 pontos percentuais, mas elas ainda têm de trabalhar mais 58 dias do que eles para ter o mesmo salário. O estudo é da Comissão para Igualdade no Trabalho e no Emprego, que garante ainda que os salários médios das mulheres portuguesas são 15,8% inferiores aos dos homens.

Para além disso, as mulheres têm mais dificuldade em atingir um topo de carreira e em conciliar a vida pessoal e profissional. Mas não é só em Portugal que isto acontece. Em todos os países da Europa, as mulheres têm salários inferiores aos dos homens em todas as profissões, uma desigualdade que se prolonga com saídas precoces do mercado de trabalho, pensões baixas e maior risco de pobreza.

Nem mesmo a “rainha de Inglaterra” parece escapar às desigualdades. A Netflix paga menos a Claire Foy, a “rainha de Inglaterra” na série “The Crown” do que ao ator britânico Matt Smith, o "duque de Edimburgo”, com quem contracena.

Nos PALOP, as mulheres são desproporcionalmente afetadas no acesso a cuidados de saúde. Na Arábia Saudita, só este ano é que as mulheres puderam assistir a um jogo de futebol, apresentar notícias, conduzir ou ir ao cinema. No Sri Lanka, foi restabelecida a lei que proíbe mulheres de comprarem álcool.

Sexismo no desporto

Durante o verão, a FIFA decidiu proibir as televisões de filmarem mulheres atraentes no Mundial. O dirigente responsável pelas pastas da sustentabilidade e diversidade da FIFA explicou que o principal objetivo era combater o sexismo no futebol, depois de terem sido detetados mais de 30 casos durante o torneio.

Pouco depois, o debate estendeu-se ao ténis. Serena Williams foi uma das figuras em destaque na discussão, depois do confronto com um árbitro português ter originado um debate sobre sexismo. Em causa, está a polémica decisão de Carlos Ramos por ter punido a tenista ao receber instruções do treinador.

A severidade do castigo, em comparação com situações idênticas com tenistas masculinos, gerou discórdia, com a Associação de Ténis Feminino a pedir igual tratamento para todos os competidores e treinadores dos circuitos de ambos os sexos.

Mais recentemente, durante a cerimónia de entrega da Bola de Ouro, o comentário de um dos apresentadores foi classificado de “sexista”. Ada Hegerberg tornou-se na primeira mulher da História a receber um dos mais prestigiados prémios do futebol. No entanto, depois de receber o prémio, a jogadora do Lyon foi “convidada” a dançar “twerk” pelo DJ francês Martin Solveig.

O episódio foi duramente criticado nas redes sociais, motivando um pedido de desculpas por parte do autor.

Outras polémicas

Outros casos marcaram o ano, como a campanha antitabágica “Uma princesa não fuma”, que gerou algumas críticas por parte de Bloco de Esquerda por ser "misógina e culpabilizante das mulheres", ou até mesmo a polémica sobre um vestido usado por Jennifer Lawrence.

Na política, um comentário do vice-governador do Banco de Inglaterra não foi bem recebido, por ter comparado a economia britânica com mulheres em menopausa.

Já o presidente das Filipinas confessou que prefere não nomear mulheres para "cargos importantes" no Governo, uma vez que se sente incomodado em pedir que cumpram determinadas missões ou tarefas. Duterte, um homem controverso, disse ainda que "se há muitas mulheres bonitas, também há muitos casos de violação".

Mudanças já em janeiro

Para já, em Portugal, foi publicada em Diário da República uma lei que introduz medidas de promoção da igualdade remuneratória entre homens e mulheres por trabalho igual ou de igual valor, e entrará em vigor em janeiro de 2019.

Resultante de uma proposta do Governo trabalhada pelas áreas governativas do Emprego e da Cidadania e Igualdade, a nova lei "visa promover um combate eficaz às desigualdades remuneratórias entre mulheres e homens, no sentido de efetivar o princípio do salário igual para trabalho igual ou de igual valor", indicou o gabinete do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em comunicado.

Pode votar aqui na "Palavra do Ano". A votação decorre até dia 31 de dezembro.