Revista do Ano 2018

Tudo começou com o esmiuçar

“Assédio”, “enfermeiro”, “especulação”, “extremismo”, “paiol”, “populismo”, “privacidade”, “professor”, “sexismo” e “toupeira”. Uma destas palavras vai ser a escolhida para representar 2018. A iniciativa “A Palavra do Ano” completa este ano uma década. A primeira vez que se realizou foi em 2009, quando um grupo de linguistas da Porto Editora escolheu a palavra “esmiuçar”. Já não se lembra das outras? Aproveite e relembre todas as Palavras do Ano. E ainda vai a tempo de votar na sua preferida para este ano.

A votação para escolher a “Palavra do Ano” de 2018 decorre até 31 de dezembro, às 24h00. O resultado será conhecido nas primeiras semanas de janeiro.

Pode votar aqui


2009 - Esmiuçar

No primeiro ano da iniciativa a palavra esmiuçar foi a escolhida. Um termo que ficou conhecido através da televisão.

"Esmiúça os Sufrágios" foi o nome dado a um programa diário de humor dos Gato Fedorento que a SIC transmitiu e que pretendia caricaturar as eleições (legislativas e autárquicas).

José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuel Alegre, Maria José Nogueira Pinto, Joana Amaral Dias, Nuno Melo e Manuel Pinho foram entrevistados.

A última emissão foi para o ar no dia 23 de outubro com três convidados jornalistas: Rodrigo Guedes de Carvalho, José Alberto Carvalho e Júlio Magalhães. Um programa que pode rever aqui.


2010 - Vuvuzela

No ano seguinte, ninguém ficou indiferente ao som de uma espécie de corneta com cerca de um metro de comprimento, que emite um ruído parecido com o de uma sirene ou de um elefante. É geralmente utilizada pelos adeptos em jogos de futebol na África do Sul.

A vuvuzela ficou famosa durante a Campeonato do Mundo de Futebol, que se realizou, precisamente, na África do Sul.

Schalk van Zuydam

2011 - Austeridade


Em 2011, durante o Governo de José Sócrates, Portugal conheceu sucessivos anúncios de medidas de austeridade.
Os funcionários públicos com um vencimento superior a 1500 euros mensais tiveram um corte no salário entre 3,5% e 10%. Todos os rendimentos foram afectados pelo congelamento da dedução específica em IRS.

As pensões foram congeladas, incluindo os beneficiários de pensões mínimas. A taxa normal do IVA subiu de 21% para 23% e foi alargado o conjunto de bens sujeitos à taxa normal.

As taxas moderadoras foram actualizadas, com aumentos dos cinco aos 50 cêntimos. Acabou a isenção de taxas moderadoras para os desempregados e pensionistas com rendimentos superiores ao valor do salário mínimo nacional (485 euros).

Já depois de Portugal estar sob intervenção externa, o Governo de Pedro Passos Coelho decide tomar novas medidas para cumprir a meta do défice em 2011.

A palavra austeridade entrou definitivamente na vida de todos os portugueses.

2012 - Entroikado


Depois da austeridade, Entroikado foi a Palavra do Ano.

De acordo com a Infopédia, "Entroikado" é aquele que está sujeito às condições de austeridade impostas pela troika - equipa que negociou as condições de resgate financeiro em Portugal e é constituída por responsáveis da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Foi o que aconteceu aos portugueses.

"Entroikado" alcançou 32 % dos votos, mais do dobro da palavra "desemprego",classificada em segundo lugar com 14 % das escolhas. Completa o pódio deste ano a palavra "solidariedade", com 12 % das preferências.

Cibernautas elegem “entroikado” como a palavra do ano 2012

© Hugo Correia / Reuters

2013 - Bombeiro

A última quinzena de Agosto marcou o Verão de 2013 devido à vaga de incêndios florestais, que provocaram nove mortos. Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, os incêndios consumiram 145.385 hectares, mais 31,8 por cento do que em 2012.

Devido à vaga de incêndios que assolou o país, Portugal teve necessidade de receber apoio de cinco meios aéreos de Espanha e França através de acordos bilaterais e dois aviões canadair croatas no âmbito do Mecanismo Europeu de Protecção Civil.

Bombeiro foi a palavra do ano e obteve 48% dos votos de 15 mil cibernautas.

2014 - corrupção

Os vários casos de suspeita de corrupção conhecidos ao longo do ano e a consequente atenção dada pelos meios de comunicação terão influenciado a escolha feita pelos portugueses.

O ano de 2014 ficou marcado por dois grandes casos judiciais com acusações de corrupção: o processo "Face Oculta", na altura, sobre uma suposta rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial de Manuel Godinho, e a operação "Labirinto", relacionada com os vistos gold.

O ano ficou ainda marcado pela detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

"Corrupção" eleita palavra do ano de 2014

2015 - Refugiado

O ano fica marcado pelo maior fluxo migratório desde a II Guerra Mundial. Centenas de imigrantes de África e do Médio Oriente morrem a tentar fugir da guerra e da vida de pobreza. A União Europeia e o resto do Mundo juntam-se num coro de vozes por novas e mais eficazes políticas de migração.

Palavra do Ano 2015 é "Refugiado

2016 - Geringonça

Geringonça, a expressão usada para designar a coligação parlamentar que apoia o atual Governo, foi a Palavra do Ano de 2016.

A palavra, que ganhou um novo significado depois de ser usada por Vasco Pulido Valente e Paulo Portas para designar a coligação de esquerda, bateu outros candidatos como campeão, que ficou em segundo lugar com 29% dos votos, e Brexit, o terceiro colocado com 8% das votações.

"Geringonça" eleita a Palavra do Ano 2016

ANT\303\223NIO COTRIM

2017 - Incêndios

Este ano foi marcado pela perda de vidas humanas resultantes de incêndios, um número sem precedentes em anos anteriores: no total, morreram mais de 100 pessoas.

Os incêndios de Pedrógão Grande, em Junho, fizeram 64 mortos (e ainda a morte de uma mulher que fugia do fogo), registando-se também mais de duas centenas de feridos; já em Outubro, morreram 45 pessoas, contabilizando-se cerca de 70 feridos.

A Palavra do Ano 2017 é "incêndios"

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