Operação Marquês

Procurador pede julgamento para os 28 arguidos na Operação Marquês

(Arquivo)

Rosário Teixeira justificou o pedido de ida a julgamento para evitar a desconfiança dos cidadãos na igualdade de tratamento perante a Justiça.

O procurador do processo Operação Marquês defendeu esta quinta-feira que todos os 28 arguidos sejam levados a julgamento.

Após mais de quatro horas e meia de alegações por parte do Ministério Público, Rosário Teixeira justificou o pedido de ida a julgamento para evitar a desconfiança dos cidadãos na igualdade de tratamento perante a Justiça.

"Como se aceita que um ex-primeiro-ministro receba empréstimos de alguém que é administrador de uma empresa que trabalha e tem negócios para o Estado", questionou o procurador.

"Há explicações que justificam que se leve a julgamento os arguidos sob pena de haver uma rutura dos cidadãos na Justiça", alegou ainda.

Para o magistrado do MP o que se viu ao longo deste processo "foram várias situações que merecem reparo para o senso comum das pessoas da rua" questionando: "como pode ser compreendido que haja um acionista e uma empresa que pague ao administrador da própria sociedade por fora".

O procurador terminou as suas longas alegações questionando ainda "como pode um primeiro-ministro aceitar empréstimos durante o período em que foi chefe do Governo".

Os factos que foram investigados na Operação Marquês tiveram lugar entre 2006 e 2015. A investigação terminou na acusação de 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas de um total de 188 crimes económico-financeiros. O antigo primeiro-ministro, principal arguido do processo, está acusado de 31 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, fraude fiscal.

O arguido que responde por mais crimes - 33 - é o empresário Carlos Santos Silva, amigo e alegado testa de ferro de José Sócrates.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo (GES) e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios, nomeadamente fora do país, do Grupo Lena.

Além de José Sócrates são também arguidos acusados Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava da PT, Helder Bataglia, Joaquim Barroca (do Grupo Lena) e o primo do antigo primeiro-ministro José Paulo Pinto de Soussa.

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