Operação Marquês

Decisão instrutória da Operação Marquês será um dia "importante para a democracia portuguesa"

Para Ricardo Costa, este processo é “seguramente o caso político-económico mais importante da nossa democracia”.

A decisão instrutória da Operação Marquês, o processo que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o banqueiro Ricardo Salgado, será conhecida a 9 de abril. Ricardo Costa, jornalista e diretor da SIC Notícias, considera que será um “dia importante para a justiça, para a política e para a democracia portuguesa”. A decisão do juiz Ivo Rosa permite saber se o caso prossegue para julgamento e quais as acusações do Ministério Público que irão ser incluídas.

“Não se pode antecipar o que está em causa, no sentido em que a decisão está feita. É um texto muito longo, sabe-se que tem mais do que as quarto mil páginas [que tinha a] acusação da equipa de procuradores, liderada por Rosário Teixeira”, afirma o jornalista na Edição da Tarde da SIC Notícias.

Ricardo Costa lembra que o juiz Ivo Rosa é “muito mais próximo, tendencialmente, da garantias das defesas” e que “manda para trás muita coisa do Ministério Público”. Depois de conhecida a decisão final, apenas o Ministério Público poderá recorrer, caso esta não lhe seja favorável. Os arguidos do processo não o poderão fazer.

Para o jornalista, este “mega processo” tem uma grande importância para Portugal, sendo “seguramente o caso político-económico mais importante da nossa democracia”. A Operação Marquês “mistura todo o escândalo que gira à volta do ex-primeiro-ministro José Sócrates com a investigação e a acusação – de uma forma um bocadinho discutível, mas foi essa a decisão – de todo o universo do BES/GES e da PT”.

Por essa razão, Ricardo Costa teme que, à semelhança do caso brasileiro Lava Jato e do caso italiano Mãos Limpas, que a Operação Marquês tenha partes “difíceis de conseguir comprovar” em julgamento.

“Depois da primeira fase do choque, em que se vê um ex-primeiro-ministro a ser preso, se veem histórias de milhões e milhões e se vê uma história completamente inaceitável – como é que alguém que foi primeiro-ministro se pode dar aqueles luxos e tratamento… Mas depois vê-se o caso crescer numa escala tal que quando chegam a julgamento, têm partes que são muito difíceis de conseguir comprovar. E, de repente, entra-se numa enorme discussão política e judicial da qual ninguém sai bem”, afirma.

O jornalista sublinha que esta não é a decisão final do julgamento e que poderá demorar vários anos até se conhecer o veredicto da Operação Marquês. Recorde-se que a detenção de José Sócrates aconteceu em 2014 e só seis anos depois irá ser conhecida a decisão instrutória.