Operação Marquês

Operação Marquês. Francisco Rodrigues dos Santos afirma que "sistema judicial mostrou que está doente"

JOSÉ SENA GOULÃO

O líder dos centristas defende que "os valores éticos e morais de um governante não prescrevem".

O presidente do CDS-PP considerou que o sistema judicial mostrou "que está doente" com o processo da Operação Marquês e defendeu que "o povo não entende" a decisão instrutória que ilibou José Sócrates dos crimes de corrupção, por estarem prescritos.

Numa nota enviada aos jornalistas, o líder centrista começa por dizer que "do ponto de vista jurídico, é uma decisão judicial que deve ser respeitada no quadro do Estado de Direito", mas que é "uma decisão recorrível e, portanto, não definitiva".

"Mas este processo presta-se também a uma leitura política, que não podemos deixar de fazer. Depois de tantos anos, o povo não entende esta decisão e está indignado com razão. Os valores éticos e morais de um governante não prescrevem!", salienta Francisco Rodrigues dos Santos.

Dos 28 arguidos da Operação Marquês (19 pessoas e nove empresas), vão a julgamento o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva, ambos pronunciados por três crimes de branqueamento de capitais e três crimes de falsificação de documentos.

No comunicado, o presidente do CDS-PP advoga igualmente que "o sistema judicial mostrou, neste processo, que está doente, pois das duas uma: ou a acusação não é infundada e nesse caso não se admite que a culpa morra solteira; ou é infundada e as proporções que o caso tomou são inaceitáveis".

"No mais, ficou também hoje [sexta-feira] claro que o mesmo primeiro-ministro cuja única fonte de rendimento declarada era exclusivamente o exercício de funções públicas vivia muito acima do razoável, ao mesmo tempo que levou o pais à bancarrota, revelando um desprezo total que pelas condições de vida da generalidade dos portugueses que tiveram de sofrer com os abusos da sua governação", criticou.

Francisco Rodrigues dos Santos salientou ainda que "o CDS vai empenhar-se em tornar o sistema judicial rápido, previsível, forte com os fortes, em que as regras sejam respeitadas e onde a culpa não morra solteira".

O juiz de instrução da Operação Marquês deixou hoje cair todos os crimes de corrupção constantes do processo, em que oito arguidos eram acusados pelo Ministério Público. Ivo Rosa considerou também que várias acusações acabaram por prescrever.

Segundo a decisão instrutória hoje lida pelo juiz Ivo Rosa, no Campus da Justiça, em Lisboa, foram ainda pronunciados o antigo ministro e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos Armando Vara, por um crime de branqueamento de capitais, e o ex-presidente do Grupo Espírito Santo Ricardo Salgado, por três crimes de abuso de confiança.

João Perna, ex-motorista de José Sócrates, vai ser julgado por um crime de detenção de arma proibida.

No processo estavam em causa 189 crimes económico-financeiros.

José Sócrates foi detido em novembro de 2014. O despacho de acusação ao antigo primeiro-ministro e mais 27 arguidos foi conhecido em outubro de 2017.

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