Tragédia em Pedrógão Grande

Cristas quer apuramento de "responsabilidades políticas e técnicas" após o luto

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu hoje que após o "tempo do luto" vai suceder-se o das respostas e "das responsabilidades políticas e técnicas" e também da "ação firme" em torno de "consensos estáveis e duradouros".

"Este é o tempo do luto e da palavra solidária. Para a política é ainda o tempo da quietude e do recolhimento. Chegará o tempo das perguntas e das respostas, das responsabilidades políticas e técnicas, dos esclarecimentos e do apuramento das razões. E o luto também se ajudará a fazer com essa verdade", afirmou Assunção Cristas.
A líder centrista, que é deputada eleita pelo distrito de Leiria, falava no parlamento na sessão plenária solene convocada para "prestar solidariedade às famílias das vítimas", manifestar "pesar pelos que faleceram" e "apoio àqueles que estiveram e que estão ainda no terreno em combate", de acordo com as palavras do presidente da Assembleia, Eduardo Ferro Rodrigues.
Assunção Cristas afirmou que, se a "memória coletiva ficará indelevelmente cinzelada por esta tragédia", deve ser transformada "em luz iluminadora de ação firme e consistente", para encontrar "formas renovadas de gestão do território e da floresta", sensibilizar para "a mudança de comportamentos humanos, que estão na origem da esmagadora maioria dos incêndios" e "encontre modelos eficazes e coordenados de prevenção e combate".
"Uma ação que a todos convoque em torno de consensos estáveis e duradouros", sublinhou.
Assunção Cristas afirmou que, "neste momento de profundo luto e tristeza, é fundamental que se saiba que no dia em que tudo voltar ao normal teremos respostas em relação a questões fundamentais".
"Desde logo, teremos resposta quanto à questão essencial: como foi possível que esta tragédia acontecesse? Mas também teremos respostas concretizadas sobre prevenção dos incêndios e proteção das pessoas. E mais do que respostas, teremos de ter uma garantia de que tudo o que tiver de ser feito - ou alterado - será feito para que uma tragédia destas não volte a ocorrer", sustentou.
Assunção Cristas declarou a união do CDS ao luto nacional, "expressando os nossos sentimentos profundos e solidários a cada uma das famílias e dos amigos, que nas aldeias ou na estrada viram desaparecer os seus mais queridos", referindo o "pesar pela perda da vida de um bombeiro, caído em missão para salvar pessoas e bens".
A presidente centrista manifestou ainda apoio às "centenas de operacionais no terreno, bombeiros e demais forças envolvidas, homens e mulheres que deram e dão o seu melhor, num combate sem tréguas e em condições tão adversas".
"A sua coragem, dedicação e generosidade faz deles verdadeiros heróis nacionais. Sublinho o esforço das autarquias e de toda a rede social num trabalho notável que em parceria tem desenvolvido no terreno para apoiar as pessoas que choram os seus familiares e amigos e em tantos casos perderam todos os seus bens", declarou.
Assunção Cristas sublinhou também "o exemplo extraordinário de toda a sociedade civil, de tantos e tantos portugueses que se estão a mobilizar, ajudando de formas muito diversas", assim como o "apoio da União Europeia e de tantos países amigos de Portugal nesta hora difícil".
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande provocou pelo menos 64 mortos e 179 feridos, segundo um balanço divulgado hoje.
Este incêndio já consumiu cerca de 26.000 hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

Lusa