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Covid-19. Irina, Maria e Alfredinha: rostos da luz ao fundo do túnel

Conheça algumas das pessoas que já têm a vacinação completa.

A maior parte dos primeiros vacinados são médicos, enfermeiros, profissionais e utentes de lares. Para quem está em risco e na linha da frente, a vacina foi uma luz ao fundo do túnel. Porém, ainda não é suficiente para baixar a guarda.

Irina, enfermeira no São José

Irina Cardoso nunca deixou de fazer o caminho que há 11 anos a traz até ao Hospital de São José, em Lisboa.

“É a minha casa. Esta minha casa é desafiante, é inesperada e acaba por nos motivar e por querer cada vez mais aprender”.

a enfermeira de neurocirurgia resistiu às sucessivas ondas da pandemia. O vírus atingiu colegas, revolucionou o trabalho e a vida pessoal.

“Tive receios por mim e tive receios sobretudo pelos meus familiares, os meus pais, de os contaminar. Durante muitos meses não os fui visitar, custa imenso. Era a obsessão com o desinfetar tudo, a roupa era colocada a porta de casa, muitas vezes tomávamos banho aqui no serviço para evitar contaminar outros ambientes”, contou à SIC.

É agora uma das profissionais de saúde que já tomaram as duas doses da vacina contra a covid 19.

Maria José Bouw, diretora de cuidados intensivos do IPO Lisboa

“O hospital tem de funcionar. A vacinação nos profissionais de saúde não é um privilégio, é uma necessidade. Tem de se manter o nosso Serviço Nacional de Saúde em pleno. Temos de manter o hospital a funcionar e a vacina dá essa esperança”.

A médica dirige a unidade de cuidados intensivos do IPO de Lisboa, onde tudo e todos se readaptaram.

“Não comi com a família, dormi em quarto separado, estive sempre de máscara com aqui. Chegava a casa e estava também de [máscara] P2. Isto tem um impacto muito grande na vida de toda a gente”.

As primeiras vacinas foram também para os mais vulneráveis e fustigados pela doença: os idosos.

Alfredinha, utente do lar da Mitra

Desde o Estado Novo que o lar da Mitra, agora gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, acolhe pessoas com problemas psiquiátricos profundos que lá ficam até ao fim da vida. Os utentes deste lar sobreviveram a dois surtos, o último com todos assintomáticos.

Aos 91 anos, Alfredinha da Sousa é uma das utentes de lares a quem as duas doses da vacina deram um novo caminho.

“Tenho marcas de vacinas que a gente ia levar lá na minha terra. Esta não deixou marca”.

Enquanto a maior parte da população não for vacinada, a luz ao fundo do túnel não permite mudar comportamentos

“Provavelmente só quando tivermos imunidade de grupo é que podemos pensar em aliviar medidas”, contou à SIC a enfermeira Irina Cardoso, acrescentando que ainda não esteve com os pais nesta última vaga da covid-19.

“Percebo que as pessoas estão muito fartas disto tudo, mas tem de se ter responsabilidade individual mesmo quando o confinamento se levanta. Isso n quer dizer que podemos voltar imediatamente a estar com os amigos, a não ter os cuidados que toda a gente conhece, afastamento, máscara. Temos de continuar para ver se conseguimos abrir sem descalabro enquanto não temos a população vacinada”, explicou Maria José Bouw.