Vacinar Portugal

Covid-19. “É um direito de cada um decidir se quer ou não a vacina”

Nuno Jacinto afirma que quem recusar a vacina "vai sempre a tempo de mudar essa decisão".

A vacina contra a covid-19 da AstraZeneca vai voltar a ser administrada, em Portugal, a partir de segunda-feira, depois de ter sido suspensa durante uma semana. Nuno Jacinto, médico e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), considera que será necessário fazer um ajuste em função do que “vai ser a resposta dos utentes”.

“A reintrodução da vacina aconteceu no final da semana passada, portanto nos próximos dias vamos voltar ao contacto com os utentes e vamos agendar esta vacinação é que teremos então que perceber qual vai ser a resposta deles”, explica em entrevista ao 22:01.

O médico afirma que antes da suspensão da vacina da AstraZeneca, já havia “algumas dúvidas de alguns utentes”, e até “recusas pontuais”. Admite que o processo “atribulado” pode “criar mais dúvidas”.

“É um facto que o processo tem sido complexo e tem sido algo atribulado – não só em Portugal, mas em todos os países. Existir esta suspensão da vacina vem criar mais algumas dúvidas, vem criar mais um fator de confusão e basta pensarmos que houve utentes que tinham a sua vacina agendada, foram desmarcados e agora terão de ser marcados”, esclarece Nuno Jacinto.

O presidente da APMGF destaca que “é um direito de cada um decidir se quer ou não fazer a vacina” e recusa a ideia de punir quem opte por dizer não à vacina da AstraZeneca ou a qualquer marca.

“Não acho que devamos falar em punições ou em castigos, é um direito que assiste às pessoas. O que importa é que cada um tome a sua decisão de forma informada e, obviamente, vai sempre a tempo de mudar essa decisão”, prossegue afirmando que quem inicialmente recusar a vacina pode sempre mudar de ideias", diz.

Em relação ao processo de administração, o presidente da APMGF afirma que não houve qualquer alteração nas indicações das autoridades de saúde e que as indicações mantêm-se iguais para as três vacinas em uso.

“A vacinação tem decorrido com normalidade deste ponto de vista clínico, não tem havido um registo de reações adversas ou de reações adversas graves. O mais frequente é acontecer - nas horas ou no dia a seguir da administração das várias vacinas - alguns sintomas ligeiros, dores musculares, alguma dor de cabeça, raramente febre, mas não mais do que isso”, explica ainda Nuno Jacinto.