Vacinar Portugal

DGS recomenda vacinação de todos os adolescentes dos 12 aos 15 anos

JOÃO RELVAS

Adolescentes vão ser inoculados com duas doses da vacina.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou esta terça-feira a vacinação de todos os adolescentes dos 12 aos 15 anos.

"A DGS informa que, relativamente à vacinação em adolescentes com 12 a 15 anos, foi possível analisar novos dados, sendo de referir que, à data, os mais de 15 milhões de adolescentes vacinados na UE e EUA confirmam que os episódios de miocardite e pericardite são extremamente raros", começou por dizer a Diretora-Geral de Saúde, Graça Freitas.

Em conferência de imprensa, Graça Freitas referiu que se mantém a recomendação da vacinação prioritária para jovens com 16 ou mais anos e adolescentes com outras patologias, como já tinha sido informado a 30 de julho.

A grande diferença é que agora a DGS recomenda a vacinação de todos os adolescentes dos 12 aos 15 anos, acompanhados pelos pais ou tutores, sem necessidade de indicação médica.

Deste universo, fazem parte cerca de 400 mil adolescentes, alguns deles já terão alguma imunidade devido ao contacto com o vírus.

Sobre as pressões políticas e as diferentes opiniões de vários especialistas, Graça Freitas disse que ouve as opiniões e que a DGS não está alheada das circunstâncias. Porém, sublinha que as decisões têm por base os dados científicos produzidos por vários países e as apreciações das comissões técnicas independentes.

Não se sabe ainda como será realizada a vacinação desta faixa etária. "O processo de vacinação é complexo e tem várias etapas", afirmou Graça Freitas. Sabe-se que, para já, os adolescentes irão tomar as duas doses da vacina.

A diretora-geral da Saúde revelou ainda que as autoridades de saúde estão a avaliar se devem ou não manter as pessoas vacinadas em isolamento, em caso de contacto com uma pessoa infetada com coronavírus.

Luís Graça, membro da Comissão Técnica de Vacinação Covid-19 e presente na conferência de imprensa, lembrou que, nesta faixa etária, os efeitos da doença são pouco graves e, por isso, a vacinação dos jovens tem como objetivo "reduzir a transmissão do vírus" e garantir o bem-estar deste grupo etário.

Luís Graça explicou que para este grupo etário que não tem outras doenças o "maior benefício que recebe [ao ser vacinado] é do seu bem-estar de saúde mental, social e educacional".

"O que fizemos é no sentido de gerar confiança"

Graça Freitas sublinhou que a demora na tomada de decisão deve transmitir confiança e não o contrário, garantido que os dez dias entre a última comunicação e hoje serviram para discutir e analisar novos dados.

"Conseguimos uma decisão mais consolidada, mais segura, que nos permite ter mais confiança", acrescentou.

"Eficácia não pode ser medida exclusivamente com testes serológicos"

Luís Graça, membro da Comissão Técnica de Vacinação covid-19, rejeita a utilização de testes serológicos para avaliar a efetividade da vacina.

"A decisão sobre a terceira dose terá que ser tomada com base na proteção da vacina e não por dados serológicos", disse.

Há uma grande unanimidade nas diferentes agências em relação à inadequação de testes serológicos para avaliar a efetividade da vacina, esclareceu, explicando que a perda de efetividade se mede com o aumento de infeções.

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