Violência em Moçambique

Petrolífera Total retira todo o pessoal do projeto de gás de Cabo Delgado

Acontece na sequência do ataque de dia 24 a Palma.

A petrolífera Total retirou o resto do pessoal que mantinha no projeto de gás no norte de Moçambique, na sequência do ataque de dia 24 a Palma, disseram à Lusa diferentes fontes que acompanham as operações.

A retirada completa inclui empresas subcontratadas que se mantinham na área do maior investimento privado em curso em África e cujos trabalhadores saíram por via marítima e aérea, indicaram as mesmas fontes.

De acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), a Total estima que haja 23.000 pessoas refugiadas junto ao projeto (Quitunda e Afungi), meia dúzia de quilómetros a sul da vila.

A zona está guarnecida pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas que estão no terreno para tentar recuperar o controlo de Palma.

Ao contrário do que vinha acontecendo, o Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS) não operou a aeronave que chegava a fazer cinco rondas entre Pemba e Afungi para resgatar os casos mais vulneráveis entre deslocados, disseram pessoas ligadas à receção em Pemba.

A Lusa não conseguiu obter comentários por parte das Nações Unidas.

Contactada pela Lusa, a Total remeteu esclarecimentos sobre a saída de Afungi e suas implicações para mais tarde.

Retirada completa da Total na sequência do ataque

A retirada completa da Total do distrito de Palma acontece após um ataque à vila sede que provocou um número de mortes ainda desconhecido e que está a colocar em fuga cerca de 10.000 pessoas - além das 23.000 reportados pela petrolífera junto ao recinto.

O ataque contrariou o anúncio de retoma gradual das obras, após uma primeira retirada de pessoal em janeiro, na sequência de um outro ataque nas proximidades.

O arranque dos desembolsos por parte dos financiadores do projeto Mozambique LNG está previsto para o início deste mês, segundo comunicado conjunto da Total com o governo moçambicano, emitido um dia antes do ataque.

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