Vírus Zika

Milhões de mosquitos resistentes ao Zika serão lançados no Brasil e Colômbia

© Alvin Baez / Reuters

Milhões de mosquitos resistentes ao Zika, Dengue e outros vírus vão ser lançados em zonas urbanas do Brasil e da Colômbia no âmbito de um plano de 16,5 milhões de euros financiado por governos e organizações.

O plano, que deverá ser ativado no início de 2017, visa controlar a transmissão de vírus por mosquitos através da bactéria Wolbachia, presente em 60% dos insetos, mas não nos mosquitos, e que impede a transmissão dos vírus aos seres humanos.

Experiências realizadas nos últimos anos em países como a Austrália, Indonésia ou Vietname mostraram que injetar mosquitos com a bactéria reduz significativamente a capacidade destes insetos de transmitir vírus às pessoas.

Entre os financiadores do plano figuram a agência do governo norte-americano para a ajuda internacional, USAID, o governo britânico, a organização internacional de solidariedade Wellcome e a Fundação Bill and Melinda Gates.

"Usar a Wolbachia para reduzir a incidência de doenças transmitidas por mosquitos tem potencial para reduzir grandemente os encargos globais com a saúde e os custos socioeconómicos do Zika e de outras infeções como o dengue e a febre-amarela", explicou Mike Turner, diretor científico do departamento de infeção e imunobiologia da Wellcome.

"Esta investigação é essencial e vai ajudar a medir o impacto para a saúde do método Wolbachia em grandes zonas urbanas, onde este tipo de surtos pode ter um impacto devastador", disse.

O processo de injetar Wolbacghia nos mosquitos que propagam o Zika -- Aedes aegypti -- foi desenvolvido por um programa internacional para a eliminação do dengue da Universidade Monash da Austrália.

Os primeiros ensaios de campo em pequena escala começaram no Rio de Janeiro em 2014 e em Bello, um subúrbio da cidade colombiana de Medellín, em 2015.

"A cobertura do [método] Wolbachia vai ser alargada a toda a Bello e a outras partes de Antioquia e a zonas da região do Rio de Janeiro".

Lusa