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China proíbe importações de carne do Canadá

Daniel Acker

Carne com vestígios de aditivo proibido na China.

A China anunciou hoje que vai suspender todas as importações de carne do Canadá, por alegadas falhas na segurança alimentar, numa altura de tensões entre Pequim e Otava, devido à detenção de uma executiva da Huawei.

Em comunicado, a embaixada da China no Canadá disse que a medida foi tomada após as autoridades alfandegárias da cidade de Nanjing, no leste do país, encontrarem vestígios de ractopamina em carne de porco oriunda do Canadá.

Aquele aditivo alimentar é permitido no Canadá, mas proibido na China.

"A China tomou medidas preventivas urgentes e pediu ao Governo canadiano que suspenda a emissão de certificados para exportação de carne para a China", lê-se no comunicado.

Nos últimos meses, as autoridades chinesas tinham já suspendido as licenças de importação de três matadouros canadianos e todas as novas compras de sementes de canola oriundas do país.

A decisão surgiu após a detenção no Canadá da diretora financeira do grupo chinês das telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou.

Meng foi detida a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.

Na sequência do caso de Meng, o empresário Michael Spavor e o ex-diplomata Michael Kovrig, ambos cidadãos canadianos, foram também detidos na China, por "prejudicarem a segurança nacional".

Um tribunal chinês reviu ainda o caso de um terceiro cidadão canadiano, Robert Lloyd Schellenberg, de 36 anos, pelo crime de tráfico de droga, condenando-o à pena de morte.

Inicialmente Schellenberg foi condenado a uma pena de prisão de 15 anos, mas, após a detenção de Meng, a Justiça chinesa considerou que a sentença era muito branda.

A decisão de suspender as importações de carne acontece quando o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, se dirige ao Japão para a cimeira do G-20.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, para tentar pôr fim à guerra comercial entre os dois países, que espoletou no verão passado.

A detenção de Meng provocou um incidente diplomático entre os três países, complicando as negociações de alto nível entre os EUA e a China e afetando gravemente as relações entre Pequim e Otava.

O Canadá quer que Trump aborde o assunto com Xi Jinping. Os chineses recusaram dialogar com o Governo canadiano, incluindo Trudeau e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Chrystia Freeland.

Trudeau esperava reunir-se com Xi na cimeira do G-20, mas parece improvável.

No ano passado, as exportações de apenas carne de porco do Canadá para a China somaram 500 milhões de dólares canadianos (mais de 330 milhões de euros).

A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60% do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem 55 milhões de quilos de carne de porco por ano.

As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportarem para o país.

Estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.

Lusa