Apoio Social

01.04.2021

4 mil testes por semana. Família e cuidadores informais testados em casa

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O programa “Famílias Seguras - Cuidar de quem Cuida” prevê a testagem, gratuita e em casa, através de uma recolha não invasiva de saliva, de famílias em situação vulnerável, bem como dos respetivos cuidadores. “Este é um excelente exemplo de cooperação entre a academia, a sociedade civil, empresas e instituições” – afirma Luis Carriço, diretor da Ciências ULisboa, instituição onde nasceu este projeto inovador

Certificado pelas entidades de saúde, este método de testagem desenvolvido pelo Centro de Testes de Ciências e pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em parceria com a Associação Nacional dos Cuidadores Informais, prevê, nesta primeira fase, a realização de 4 mil testes Covid-19, por semana, até ao mês de julho.

Trata-se de um método inovador que tem a vantagem de, além de simples e seguro, evitar que as pessoas, idosos na sua grande maioria, tenham de sair de casa para serem testadas.

Para recolher as amostras de saliva, são enviados kits todas as semanas para a morada das famílias referenciadas. A seguir, uma empresa de transportes recolhe as amostras e entrega-as no laboratório do Centro de Testes da Universidade de Ciências, onde são feitas as análises.

Vantagens da testagem por saliva

“Considerando que o material genético do vírus SARS-CoV-2 pode ser detetado com fiabilidade na saliva durante vários dias sem necessidade de refrigeração, a testagem por saliva tem várias vantagens em relação à executada de naso-ou orofaringe, colhidos por zaragatoa”, explica Ana Pena, do Centro de Testes de Ciências.

“Sendo um procedimento simples, minimamente invasivo e seguro – acrescenta - a recolha de saliva não requer um técnico de saúde especializado ou a deslocação a um centro de testagem, o que reduz não só o risco de transmissão e a utilização de equipamento de proteção pessoal, mas também os custos associados”.

Devido à sua fiabilidade e baixo custo, os testes de saliva possibilitam o aumento da capacidade e da frequência da testagem, permitindo testar regularmente um maior número de pessoas.

Este programa trará benefícios a todos os outros cuidadores, no sentido do reconhecimento, possibilitando uma sensação de confiança e segurança, tendo em conta a vigilância ativa do programa.

Devido ao encerramento forçado de centros de dia e de outras instituições de apoio a pessoas que necessitam de acompanhamento especial e permanente, por causa da pandemia, calcula-se que o número de cuidadores informais em Portugal tenha subido de 800 mil para mais de 1 milhão, no último ano.

Segundo a presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais, Sílvia Artilheiro Alves, a grande maioria dos cuidadores são mulheres, em idade avançada, encontrando-se, por isso, também numa situação de risco. “Este programa trará benefícios a todos os outros cuidadores, no sentido do reconhecimento, possibilitando uma sensação de confiança e segurança, tendo em conta a vigilância ativa do programa”- afirma.

Cuidadores informais não têm plano de contingência

Apesar da sua situação de vulnerabilidade, a população dos cuidadores informais não tem previsto um plano de vigilância e contingência específicos, ao contrário do que acontece em escolas, lares, centros de saúde, unidades hospitalares e da rede nacional de cuidados continuados.

Este programa pretende ajudar a colmatar essa carência, “proporcionando uma vigilância epidemiológica regular aos cuidadores, prevenindo a transmissão por Covid-19 e promovendo a deteção precoce de casos, diminuindo o risco de infeção e propagação no seio destas famílias”.

As inscrições para o programa decorreram entre novembro e janeiro , mas podem ser reabertas de forma a estender o projeto a mais famílias, “caso se reúnem os apoios necessários”, explicam os seus responsáveis.

“Excelente exemplo de cooperação”

“A missão da Faculdade é expandir o conhecimento e transferi-lo para a sociedade” - afirma Luis Carriço, diretor da Ciências ULisboa. “Com esta iniciativa colocamos a nossa capacidade de inovação e colaboração ao serviço de uma população vulnerável e que carece de muitos apoios. Este é um excelente exemplo de cooperação entre a academia, a sociedade civil, empresas e instituições.”

“Este é um projeto que muito nos orgulha”, explica, por sua vez Ricardo Dias, coordenador do CT Ciências ULisboa. “Temos o dever de cuidar de quem cuida. Ao fazê-lo damos também um sinal aos nossos alunos do papel vital que a Ciência pode ter na participação cívica e melhoria da sociedade.”

Segunda fase do programa arrancará se houver financiamento

O programa “Famílias Seguras – Cuidar de quem Cuida” arrancou em todo o país, envolvendo mais de 70 famílias, num total de mais de 200 pessoas. Ao todo, são feitos, até julho, mais de 4 mil testes todas as semanas. O objetivo é alargar a testagem a mais famílias de todo o país, se entretanto forem assegurados os meios para custear as despesas.

Esta primeira fase do projeto, que mereceu o apoio institucional da Presidência da República, foi possível graças ao financiamento de várias empresas privadas e entidades sociais que prestam apoio a cuidadores informais e suas famílias.