Apoio Social

06.04.2021

Humanizar até ao fim

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Prestar apoio psicossocial e espiritual às pessoas com doença avançada para promover o seu bem-estar, bem como o dos seus familiares é o grande objetivo do “Programa Humaniza”, iniciativa da Fundação “La Caixa.” Em Portugal, funciona há dois anos com 10 equipas a trabalhar na área dos cuidados paliativos, em várias regiões do país

Mais de 8600 doentes portugueses e 10 635 familiares foram apoiados pelo “Programa Humaniza”, de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas, entre outubro de 2018 e maio de 2020.

Ajudar a lidar com o sofrimento psicológico, indissociável da doença grave, é a prioridade do programa que nasceu e funciona em Espanha há cerca de 10 anos. Em Portugal, a iniciativa da Fundação La Caixa, com a colaboração do BPI e do Ministério da Saúde, já se estendeu a várias regiões do país. Dez equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) integradas na área dos cuidados paliativos, ajudam os doentes a lidar com emoções como a ansiedade, tristeza, mal-estar emocional ou adaptação ao estado de doença. O apoio aos processos de luto é também parte importante da sua intervenção.

No Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, uma dessas equipas trabalha todos os dias para melhorar a qualidade de vida de pessoas com doença oncológica em fase avançada e de seus familiares. Desde dezembro de 2018, data em que foi criada, até dezembro do ano passado, foram apoiados 834 novos doentes e 1267 familiares.

Profissionais especializados nesta área preenchem uma importante lacuna no apoio a estes doentes, acrescentando aos cuidados médicos e de enfermagem, o suporte psicossocial e espiritual. As equipas de saúde “já há muito reconheciam estas necessidades mas faltavam os recursos para garantir respostas sólidas e contínuas”, carências observáveis “nos hospitais e noutras instituições de saúde”, explica Piedade Leão, psicóloga clínica e psicooncologista, responsável pelo Programa Humaniza no IPO de Coimbra.

Necessidades psicológicas, no plano de cuidados ao doente

Ao lançar um concurso para constituição de Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) em Portugal, em 2018, a Fundação “la Caixa” “pretendia impulsionar projetos que fomentassem a vida independente, a autonomia e o bem-estar de pessoas que lidam diariamente com os desafios associados a uma doença crónica em fase avançada”, diz Piedade Leão, observando que “a atenção psicossocial a pessoas com doença avançada e seus cuidadores torna-se ainda mais pertinente quando consideramos fatores demográficos como o envelhecimento da população e fatores técnico-científicos como os avanços da medicina, o que resulta no aumento do número de pessoas que vivem com as exigências de uma doença crónica durante vários anos.”

Reconhecendo esta realidade, o Programa, que tem o aval da Organização Mundial de Saúde (OMS), “propõe uma abordagem integral a pessoas com doenças em fase avançada e seus cuidadores e, assim, impulsiona novas formas de atuação no âmbito dos cuidados paliativos”, esclarece a psicóloga.

A atividade que a equipa de Coimbra tem desenvolvido tem recebido “um feedback muito positivo de doentes, familiares e das próprias equipas de saúde”, segundo Piedade Leão. “Da satisfação dos doentes, das famílias e das equipas de saúde, recebemos o apoio emocional que nos dá alento para continuar a implementar o Programa no IPO Coimbra”, diz, sublinhando a satisfação pela implementação de “um programa de atendimento a necessidades psicossociais” e pelo “reconhecimento das necessidades psicológicas, sociais e espirituais como parte integrante do plano de cuidados do doente e da família!”

Desafios e Conquistas

Para o desenvolvimento da sua atividade, a equipa recebe anualmente uma verba da Fundação “la Caixa” destinada aos recursos humanos (duas psicólogas e duas assistentes sociais) e a outras necessidades de funcionamento. Conta ainda com o apoio do IPO Coimbra que assegura a restante logística, nomeadamente, o espaço de trabalho, o apoio administrativo, infraestruturas e equipamento informático.

As necessidades psicossociais das pessoas com doença avançada devem ser entendidas como “um direito humano”, defende Piedade Leão e o seu reconhecimento é o maior desafio que a equipa tem vindo a superar desde a implementação do Programa.

A pandemia trouxe, naturalmente, outro tipo de desafios. Mas a equipa liderada por Piedade Leão tem respondido às adversidades com “flexibilidade, dedicação e alguma criatividade”: Organizou um programa de visitas virtuais, adaptou o acompanhamento ao formato de teleconsulta, criou a revista “Humaniza” e a página de Facebook da EAPS. Tudo, para contornar as dificuldades e prosseguir o trabalho a favor da sua causa maior: Humanizar até ao fim!