“SAFE”, uma esperança para diminuir o fogo na floresta

Os sinais de perigo de incêndio na floresta podem ser detetados através de um novo sistema em estudo por investigadores de Bragança. O projeto “Safe” apoiado pela Fundação “la Caixa” /BPI pode ser uma nova esperança para combater o “inferno” que todos os anos “devora” as florestas portuguesas

Criar novas formas de prevenir incêndios florestais é o objetivo que fez nascer o projeto “Safe - Sistema de Monitorização e Alerta Florestal" em desenvolvimento no Instituto Politécnico de Bragança.

Apesar do decréscimo de incêndios em 2020, comparativamente aos anos anteriores, para o que poderá ter contribuído a situação pandémica, foram registados 8807 fogos até 15 de setembro do ano passado, em Portugal, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O fogo posto e as queimas e queimadas foram as principais causas desses incêndios florestais, segundo o mesmo organismo.

Investigadores do Instituto Politécnico de Bragança estão a desenvolver um projeto para combater este problema, através da monitorização da fauna, da recolha de informação através de sensores distribuídos pelo território e da análise dos dados por meio de um sistema baseado na inteligência artificial. Este método permite detetar sinais de perigo de incêndio e avisar os agentes da Proteção Civil.

“Este sistema a desenvolver, tanto a nível de hardware como de software, combina nós autónomos de sensorização distribuídos que irão adquirir e transmitir diversos parâmetros relevantes para uma caracterização eficiente das condições florestais existentes”, explica José Lima, responsável do projeto. “Esta coleção de informação, aliada a um sistema baseado em inteligência artificial, permitirá efetuar uma análise inteligente dos dados, promovendo a criação de alertas de situações de perigo avisando os diversos atores.”

Promovendo desafios

O projeto nasceu da ideia de ligar duas áreas atualmente em crescimento: “o IoT (Internet das coisas) e as aplicações na floresta (exemplo digitalização)”, diz José Lima. Uma ideia que foi crescendo e amadurecendo até surgir a oportunidade de concorrerem ao Programa “Promove” da Fundação “la Caixa e do BPI que tem como objetivo o desenvolvimento de projetos inovadores que contribuam para a transformação e dinamização do território.

O desenvolvimento de “Safe - Sistema de Monitorização e Alerta Florestal" conta com quatro parceiros: o Centro de Investigação em Digitalização e Robótica Inteligente (CeDRI/IPB), o Centro de Investigação de Montanha (CIMO/IPB), o Município de Bragança (CMB) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência INESC-TEC. No projeto estão envolvidos sete docentes e quatro investigadores bolseiros que trabalham nas áreas de hardware e de software.

Além do financiamento da Fundação “la Caixa”/BPI recebem também o apoio da Câmara Municipal de Bragança, da Corporação de Bombeiros e da Autoridade Nacional de Proteção Civil de Bragança. Como na generalidade dos projetos, também o desenvolvimento deste foi afetado pela pandemia. “Alguns testes em campo, por exemplo queimas, tiveram de ser adiados que, combinando com a lei em vigor que impossibilita estes testes em alguns períodos do ano, atrasaram um pouco o planeado”, refere José Lima.

Os aspetos positivos superam, no entanto, os obstáculos e os desafios como é o de encontrar novas fontes de financiamento. “Tivémos oportunidade de fazer diversas publicações científicas, quer em revistas científicas, quer apresentação em conferências que nos levaram a aumentar a nossa rede de contactos”, resultando em importantes contributos para o desenvolvimento do trabalho de investigação.