Incorporar a ciência na cultura e fortalecer as comunidades

"Sem ciência não há cultura". Partindo desta premissa, o Centro Ciência Viva da Floresta (CCVFloresta), em Proença-a-Nova, desenvolve o projeto “Monitorizar para Decidir e Valorizar”, tendo em vista “a construção de ferramentas inovadoras, acessíveis e de impacto reduzido, que tornem as comunidades locais mais informadas e menos vulneráveis”, explica Edite Fernandes, diretora executiva do Centro.

O objetivo é oferecer aos cidadãos “experiências e recursos para incorporarem a ciência na sua cultura, capacitando-os para compreenderem o mundo em que vivemos”.De que forma? “Promovendo a aquisição de competências de prevenção de riscos naturais, adaptação às alterações climáticas e gestão eficiente de recursos, nos seguintes âmbitos: educação ambiental; monitorização e preservação das florestas; sensibilização e formação da comunidade”, esclarece Edite Fernandes.

Para alcançar este propósito, os investigadores começaram por conceber e criar um sistema que “recorrendo a dados de satélite e a dados auxiliares (resultantes de saídas de campo), permite obter informação sobre o uso e ocupação do solo, a dinâmica territorial, o inventário florestal, a precipitação em tempo real e a deteção de anomalias”.

Este Sistema - explica Edite Fernandes -- “estará patente num ecrã táctil, na exposição interactiva permanente do CCVFloresta, ficando assim acessível a quem nos visita”.

O projeto, financiado pelo BPI / Fundação ‘la Caixa”, é comunicado à comunidade através de uma Academia de transferência de conhecimento, que inclui cafés de ciência, workshops e atividades com escolas.

A Floresta como fonte de conhecimento

O projeto “Monitorizar para Decidir e Valorizar” é promovido pelo Centro Ciência Viva da Floresta, espaço interactivo de divulgação científica e tecnológica, pertencente à rede nacional de 21 Centros Ciência Viva distribuídos por todo o país. Aberto ao público desde 21 de Julho de 2007, já recebeu mais de 190 000 visitantes. Situa-se na Zona do Pinhal Interior Sul, no concelho de Proença-a-Nova, que tem uma densidade florestal de 80.7%, correspondente a uma área de 319,2 km2).

“O tema do CCVFloresta decorre da concepção da Floresta como fonte de conhecimento, sublinhando a necessidade de atualização contínua do conhecimento científico para uma gestão eficaz do meio ambiente, bem como a sua valorização como um elemento central da cultura científica contemporânea” sublinha Edite Fernandes.

Desta forma, o Centro promove a cultura científica e desafia o público a partilhar e a debater novas experiências. “Acreditamos num progresso social assente na curiosidade, na criatividade, no pensamento crítico e no envolvimento de todos os cidadãos”, diz.

Após os incêndios que fustigaram o país em 2017, decidiram agir. “Na altura, reconhecemos a necessidade de ações dirigidas e continuadas” para reforçar a informação das comunidades locais.

Para atingir os objetivos traçados, desafiaram o Instituto do Ambiente, Tecnologia e Vida da Universidade de Coimbra (IATV) que lhes garante assessoria técnica e conceberam o projeto “Monitorizar para Decidir e Valorizar” que submeteram ao programa PROMOVE regiões fronteiriças 2018 (BPI | Fundação “la Caixa”).

As metas previstas tiveram de ser recalendarizadas, em consequência dos constrangimentos da pandemia que obrigaram a que a academia de transferência de conhecimento, que estava inicialmente prevista para ser realizada no formato presencial, decorra num formato misto presencial e online.

Centrada na área do Pinhal Interior Sul, a intervenção no âmbito deste projeto “é replicável a outras áreas com características semelhantes”, nota Edite Fernandes.

Os dados obtidos serão úteis aos residentes naquela zona, ao público em geral, à comunidade científica, a docentes e alunos de todo o País, bem como às famílias que visitam o CCVFloresta, e a profissionais de várias áreas.