Produzir comida, através do desperdício energético

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A ideia nasceu em 2017 e tem como responsáveis o australiano Michael Parkes e o especialista em agricultura, Paulo Pereira

A ideia nasceu em 2017, em Lisboa. O australiano Michael Parkes, juntamente com Paulo Pereira, especialista em agricultura, queriam encontrar soluções sustentáveis para a produção de alimentos nas cidades. Resolveram então criar a Bios, uma empresa para desenvolver um sistema inovador de cultivo agrícola em ambiente fechado que, com o apoio de tecnologias avançadas, monitorização de dados e inteligência artificial, permitiria avaliar os diversos fluxos de energia, (usada e desperdiçada) dos edifícios bem como as suas respetivas emissões de CO₂ com o sentido de as aproveitar para produzir vegetais, legumes ou pequenas árvores para plantação em florestas. Ou seja, produzir comida através do desperdício energético.

“A ideia de criar a Bios resultou de anos de experiência e de trabalho na área da indústria de alimentos e energia”, explica Parkes. “As plantas ajudam a cuidar do solo, do ar, da água, e dos seus habitantes. São a integração perfeita de recursos naturais da terra e, ao comer plantas, os humanos recebem energia”, diz, sublinhando: “No entanto, a qualidade dessa troca de energia está a ser posta em causa devido a más práticas agrícolas, e cadeias produtivas globalizadas onde a qualidade não é o ponto mais importante, reduzindo a disponibilidade de nutrientes de qualidade para consumo.

Parkes nota que “a necessidade de obter alimentos limpos e saudáveis é um desafio conhecido” e, quando vistos à luz do desenvolvimento urbano e da saúde das gerações futuras, são necessárias “soluções que levem alimentos de qualidade à porta dos nossos filhos.” É por isso - contam Michael e Paulo – que decidiram fundar a Canguru Foods e lançar o projeto Bios na Nova SBE.

“Ao integrar a natureza e a tecnologia em edifícios, o nosso objetivo é demonstrar que o estes sistemas podem ser usados para optimizar a eficiência no uso de recursos (CO2, energia e água) na produção de alimentos e reduzir ou mesmo eliminar pesticidas e toxinas presentes nos alimentos hoje em dia. Ao mesmo tempo, aumentar o acesso a vegetais com alto teor de nutrientes para melhorar a saúde da comunidade e ter um impacto social positivo.


Juntar a tecnologia ao social

Tendo em conta que o acesso a alimentos frescos e saudáveis ​​ não pode ser alcançado apenas através da tecnologia mas requer também a participação da comunidade local, a Bios também está a desenvolver um conceito que junta a solução tecnológica ao empreendimento social.

Há quatro anos que esta resposta inovadora está a ser investigada com o apoio da Fundação Gulbenkian e a estufa urbana Bios, criada em parceria com a Nova School of Business & Economics já está instalada e a ser testada no local.

No geral foram investidos aproximadamente 400,000 de recursos através de “subsídios, programas, autofinanciamento, tempo, atenção, suor e lágrimas” , diz Michael Parkes. “Tem sido uma grande aventura e estamos agora à procura de parceiros para apoiar a nossa sustentabilidade financeira no futuro.”

O desenvolvimento do projeto passará agora pela validação de dados, modelo de negócio e pela obtenção de fundos para 2022 destinados à tecnologia “com base na integração de sistemas e fornecimento 100% seguro de vegetais de qualidade”