04.05.2021

Mais Esperança

Empresas contribuem para quebrar ciclos de pobreza

Luís Miguel Conceição a executar as suas tarefas na propriedade agrícola onde trabalha

No ano passado, a Cáritas Diocesana de Beja atendeu 50 desempregados com diferentes vulnerabilidades e vítimas da pandemia Covid-19, conseguiu angariar 47 oportunidades laborais e integrou 46 pessoas no mercado de trabalho, num total de 36 empresas e entidades visitadas para a apresentar o “Programa Incorpora”

Luís Miguel Conceição, pai de quatro filhos, desempregado de longa duração e beneficiário crónico de diversos apoios sociais de IPSS e do Rendimento Social de Inserção foi integrado na Herdade do Monte Novo e Figueirinha, onde se tornou assistente operacional em serviços gerais na propriedade agrícola.

“Gosto de tudo o que aqui faço, a jardinagem, ajudo nas oficinas ou pego na moto 4 e vou recolher os panos pelo olival na época da apanha da azeitona”, diz. “Este emprego permitiu mudar a vida da minha família. Foi a melhor coisa que me aconteceu.”

Filipe Cameirinha diretor geral do Monte novo e Figueirinha, que o entrevistou e o admitiu no espaço de uma semana esclarece que a aposta da empresa “é de contribuir para quebrar o ciclo da pobreza e da dependência crónica dos apoios sociais de públicos vulneráveis, recorrendo à contratação de pessoas acompanhadas pelas IPSS do nosso concelho.” Considera como “muito gratificante” a parceria estabelecida com o programa “Incorpora” através da Cáritas, no âmbito da qual já receberam cinco trabalhadores “que se adaptaram bem e são acarinhados por todos até aos dias de hoje.”

Simone Maia, imigrante brasileira, mãe solteira e desempregada devido à pandemia de Covid-19 desde novembro de 2020, é outra das pessoas que foi apoiada pelo “Incorpora”, estando atualmente integrada na empresa Agro121, Lda, que mantém uma forte presença no sector da agricultura. “Hoje estou a trabalhar na Agro121 onde me sinto profissionalmente realizada e bastante acompanhada por toda a equipa “Incorpora”, diz. O diretor da empresa conta que percebeu “no imediato que poderia existir uma relação estratégica na área da empregabilidade que fosse ao encontro das necessidades da nossa empresa mas também das pessoas que são atendidas no Incorpora” e que “com este programa contribuiu-se de forma decisiva na redução de distância entre a necessidade do empresário e a pessoa desempregada.”

Apesar da pandemia, o trabalho de atendimento e prospeção empresarial desenvolvido pela Caritas de Beja, não parou. “No âmbito das contingências criaram-se as condições para atender, acompanhar e estabelecer contactos com as empresas, privilegiando o uso dos equipamentos de proteção individual aquando de contatos presenciais e as redes sociais “ZOOM” e “WhatsApp” quer com os beneficiários do programa quer nas reuniões com a Rede Incorpora Portugal e os empresários aderentes ao programa. “Sentimos que houve uma quebra na contratação por parte do sector privado, compensada por um elevado número de ofertas angariadas no sector público, particular e de solidariedade social, diz Márcio Guerra.” Diria até que o “Incorpora” teve um papel muito decisivo na angariação de beneficiários para o sector social, que se viu a braços com a necessidade de reforçar as suas equipas em lares, centros de acolhimento, centro de atividades ocupacionais, em áreas tão diversas como ajudantes de cozinha, cozinheiras, auxiliares de ação direta, auxiliares de serviços gerais e de geriatria, limpeza, etc,”, os perfis profissionais característicos dos públicos em situação de maior vulnerabilidade atendidos no “Incorpora”.

Em suma, Márcio Guerra considera que “com muito esforço e dedicação por parte da equipa e rede “Incorpora” foi possível estar à altura dos desafios colocados pela pandemia, com um forte sentido de responsabilidade e de missão que permitiu encontrar oportunidades no meio de uma situação tão dramática para todos nós.”

Para 2021, têm como missão “continuar a impulsionar a empregabilidade dos coletivos mais vulneráveis num momento em que a sua situação se viu especialmente agravada pela crise sanitária e económica provocada pela Covid-19.”