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21.05.2021

“Natureza Virtual” : um projeto para promover a região de Bragança

Promover e valorizar o desenvolvimento da região de Bragança, aliando a riqueza natural às tecnologia e investigação, é o principal objetivo do projeto “Natureza Virtual”

Otimizar os recursos hídricos e aliar a riqueza dos valores naturais e a biodiversidade com a tecnologia e investigação para promover a região de Bragança foi a ideia que esteve na base do projeto “Natureza Virtual”.

Apoiado pela Fundação “la Caixa”, este projeto propõe criar um conjunto de módulos interativos que vão contribuir para o desenvolvimento da região transfronteiriça, enquanto instrumentos de interpretação de valores naturais. Estes módulos farão parte da exposição permanente da Casa da Seda.

Co-financiado pela Fundação “la Caixa” e pelo BPI, “Natureza Virtual” insere-se no Programa Promove – Regiões Fronteiriças, que pretende “estimular projetos e ideias inovadoras que contribuam para o desenvolvimento económico das regiões do interior de Portugal.”

Além daquelas entidades, o projeto recebe ainda o apoio do Centro de Ciência Viva de Bragança (CCVB), do Município de Bragança e da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

Potenciar os recursos hídricos

No âmbito deste programa, está prevista a instalação de um sistema de monitorização da qualidade da água do rio Fervença com um conjunto de sensores em quatro localizações específicas. Deste modo serão fornecidos “os valores reais de quatro parâmetros químicos (condutividade; pH; temperatura da água e temperatura ambiente), o que permitirá armazenar dados importantes para a realização de estudos científicos”, explica Estefânia Gonçalves, gestora do projeto.

Aproveitando a proximidade do Centro Ciência Viva de Bragança (CCVB) com o rio Fervença e a atividade de investigação desenvolvida com os Centros de Investigação do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), foi apresentada uma candidatura, em julho de 2018, ao concurso “Promove – Regiões Fronteiriças” da Fundação la Caixa.

“Centrámo-nos em dois domínios temáticos priorizados no concurso: ações de prevenção e riscos naturais e reforço das capacidades às alterações climáticas, e gestão eficiente dos recursos, nomeadamente em ecossistemas transfronteiriços, na otimização e gestão eficiente de recursos hídricos e melhoria da qualidade das massas de água”, adianta Estefânia Gonçalves.

A atração de novos residentes para áreas da região que possam suscitar interesse internacional contribuindo para a minimização dos efeitos da regressão demográfica, são também considerados, privilegiando-se a oferta cultural e artística que constitua polo de atração internacional, incluindo oferta museológica e o seu acesso virtual.

Um dos vencedores selecionado pelo júri da Fundação la Caixa, o projeto “Natureza Virtual” começou a ser implementado em junho de 2019. Para a equipa, foram contratados em regime de Bolsa de Investigação, um aluno de Mestrado em Engenharia Eletrotécnica, um Mestre com formação em Realidade Virtual e um aluno de Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica

Atualmente trabalham no projeto, além destes bolseiros, 14 pessoas do Centro Ciência Viva de Bragança (CCVB), bem como as equipas do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (ZASNET) e da Estação Biológica Internacional (EBI).

Desafios

O caminho não tem sido feito sem desafios. O maior relaciona-se com “a tecnologia que está a ser desenvolvida para a implementação da rede de sensores para monitorização da qualidade da água do rio Fervença”, refere Estefânia Gonçalves, explicando que essa tecnologia “está a ser desenvolvida de raiz com características e exigências especificas para cada um dos locais de recolha de dados.” Como é natural na investigação “têm de se testar várias hipóteses e vários materiais e equipamentos, o que tem levado à necessidade de fazer um investimento maior do que aquele que se preconizou em fase de candidatura tanto em equipamentos como em recursos humanos.”

Além de contribuir para a promoção e valorização dos valores naturais da região transfronteiriça, “Natureza Virtual” vai permitir “o reforço dos recursos didáticos disponíveis na exposição da Casa da Seda com a instalação de quatro módulos interativos de interpretação de valores naturais”. Três deles têm inauguração prevista para o dia 30 de junho.

Estefânia Gonçalves destaca outros aspetos positivos do projeto: o armazenamento de dados que poderão servir para futuros estudos; a possibilidade de dar continuidade a outros projetos em desenvolvimento no CCVB; o reforço de parcerias com outras instituições da região transfronteiriça; a contratação de bolseiros de investigação, bem como de vários serviços a empresas locais.

Para o futuro, espera-se que os dados resultantes e armazenados no projeto “Natureza Virtual” possam vir a ser úteis para a realização de estudos que permitam melhorar e otimizar os recursos hídricos do rio Fervença.