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15.07.2021

Mundo a 3D, “as mãos são os olhos de quem não vê”

Crack Palinggi

Contribuir para a inclusão da pessoa deficiente visual na sociedade é o principal objetivo do projeto “Mundo a 3D” promovido pela Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

Para aumentar a informação e o acesso à cultura das pessoas com deficiência visual, a ACAPO recorre a moldes tridimensionais de monumentos, imagens, fotografias e objetos, com uma vertente lúdica e educativa. É o projeto “Mundo a 3D” alargado a escolas, universidades, entidades públicas, privadas e particulares, “desmistificando a temática da deficiência visual na sociedade”, explica João Lourenço, diretor do Centro de Produção Documental da associação.

Considerando que nem só pela visão se conhece o mundo, este projeto pretende “dotar de conhecimento tátil o que se encontra presente no meio envolvente, contribuindo para o desenvolvimento social.”

Neste âmbito, serão apresentados pelas delegações da ACAPO e/ou entidades parceiras, a produção dos monumentos nacionais, procurando ao mesmo tempo sensibilizar escolas, universidades, lares e infantários. “O recurso ao 3D é, assim, uma ferramenta importante para o apoio social desenvolvido pela Instituição, seja nas atividades de vida diária ou intervenção precoce”, diz João Lourenço. “Pretendemos assim, que este projeto seja uma resposta complementar ao trabalho das nossas equipas multidisciplinares e que apoie a inclusão das pessoas com deficiência”, potenciando o trabalho em rede.

Tornar acessível o que não é

A ideia nasceu no verão de 2015, no Centro de Produção Documental, numa altura em que se falava muito do potencial das máquinas 3D, fruto do “trabalho diário da ACAPO, em tornar acessível o que não é, em dar a conhecer o país e o mundo pelo tato, em vez de ser com os olhos”, sublinha o responsável da associação.

Hoje, a atividade da ACAPO desenvolve-se em 13 delegações distribuídas pelo país, 10 das quais com equipas técnicas, envolvendo 150 colaboradores.

É um trabalho que recebe apoios do Estado, através de acordos atípicos, de programas de financiamento a projetos (públicos e privados).

Com o surgimento da pandemia, não foi fácil prosseguir com o projeto, sobretudo no início. “O nosso pensamento recaía sobre proteger a nossa população o mais possível à exposição do vírus. Numa altura em que se falava em distanciamento social, etiqueta respiratória, em lavar as mãos e desinfetar com frequência, queríamos era explicar aos nossos associados e utentes que cuidados deviam ter, uma vez que as mãos são os olhos de quem não vê”, diz João Lourenço.

As novas medidas para conter a propagação da covid-19, como o distanciamento social, colocaram limitações ao trabalho da ACAPO, ao nível da reabilitação com o associados/utente, esclarece.

Os planos para o futuro são, contudo, “sempre muitos, e diários”. E o que agora mais “enche o coração” dos membros da ACAPO, é a recuperação do edifício da Rua de São José, em Lisboa que pretendem reabilitar e tornar um exemplo quanto às acessibilidades físicas e tecnologias para pessoas com deficiência visual.