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Estudo alerta que Úlcera de Buruli pode ter-se espalhado devido a alterações climáticas

A úlcera de Buruli, doença infeciosa causada por uma microbactéria da mesma família de bactérias da lepra e tuberculose, pode ter-se espalhado com alteração dos padrões de pluviosidade nos países em desenvolvimento, refere um estudo hoje divulgado pela ScienceDaily.

A doença ocorre, com frequência, em indivíduos que habitam áreas próximas  de leitos de reservatórios de água -- rios de fluxo lento, lagoas, pântanos  e lagos - mas há registo de casos que ocorreram após inundações. 

A doença ocorre, com frequência, em indivíduos que habitam áreas próximas  de leitos de reservatórios de água -- rios de fluxo lento, lagoas, pântanos  e lagos - mas há registo de casos que ocorreram após inundações. 

Zach Bryan

Segundo resultados de uma pesquisa feita por pesquisadores da Universidade  de Bournemouth, os surtos de úlcera de Buruli "podem ser desencadeados por  mudanças climáticas, com chuvas a desempenharem um grande papel na disseminação  da doença".  

A úlcera de Buruli, considerada uma das principais doenças tropicais  negligenciadas, é causada por uma microbactéria capaz de produzir uma toxina  que pode levar à destruição da pele e dos tecidos moles, com a formação  de grandes úlceras que afetam as pernas ou os braços. 

A doença ocorre, com frequência, em indivíduos que habitam áreas próximas  de leitos de reservatórios de água -- rios de fluxo lento, lagoas, pântanos  e lagos - mas há registo de casos que ocorreram após inundações. 

O estudo estabeleceu uma ligação entre os surtos de úlcera de Buruli  na Guiana Francesa, na América do Sul, e as mudanças nos padrões de chuva,  incluindo eventos extremos de chuva impulsionada pelo fenómeno El Nio Oscilação  Sul (ENOS), descrito como possível influenciador no aumento da ocorrência  de cheias. 

O investigador da Universidade de Bournemouth Aaron Morris, citado pela  ScienceDaily, considerou "extremamente importante compreender como os níveis  de infeção respondem a fatores climáticos, especialmente com mal-entendidos  que existem sobre doenças emergentes, tais como a úlcera de Buruli".  

"Essas ligações ajudam-nos a lançar luz sobre a sua ecologia e permite-nos  prever os surtos com mais precisão. Eles também são vitais para compreender  como as mudanças climáticas afetarão a dinâmica e o surgimento de patogenias  no futuro", acrescentou Aaron Morris. 

A investigação sobre a úlcera de Buruli, realizada na Guiana Francesa,  centrou-se na relação entre biodiversidade e a propagação de doenças em  seres humanos, o que abre caminho para futuras pesquisas sobre o impacto  da biodiversidade e mudanças climáticas na propagação de doenças. 

O primeiro caso africano da úlcera de Buruli foi relatado em 1950 no  antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, mas, nos últimos anos,  a Organização Mundial da Saúde registou a ocorrência da doença em três dezenas  de países do continente americano, asiático e do Pacifico Ocidental, principalmente,  em regiões tropicais e subtropicais. 

A enfermidade é reconhecida como um problema de saúde pública no Uganda,  na Nigéria, Gabão, Gana, Camarões, Libéria, Costa do Marfim, Malásia, Nova  Guiné, Togo, Guiana Francesa e República do Benin. 

Lusa