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Nobel da Paz considera que a Polónia deve adquirir armas nucleares para se salvaguardar da Rússia

O ícone anti-comunista polaco Lech Walesa defendeu que a Polónia deveria adquirir armas nucleares para se salvaguardar contra a Rússia, que responsabiliza por fomentar a crise na vizinha Ucrânia.

© Kacper Pempel / Reuters

"A Polónia precisa de defender-se da Rússia", considerou o Nobel da Paz, que liderou o movimento democrático do seu país e se tornou o primeiro Presidente no pós-comunismo, numa entrevista hoje publicada. 

A Polónia, membro da União Europeia e da NATO, foi surpreendida pelas ações da Rússia na Ucrânia, incluindo a anexação da península da Crimeia, em março, e o alegado apoio aos rebeldes no leste do país. 

"[O Presidente russo, Vladimir] Putin tem tentado intimidar-nos com as suas armas nucleares, por que é que não devemos ter o nosso próprio arsenal?", questionou Walesa, em declarações ao jornal diário Rzeczpospolita. 

"Deveríamos pedir emprestado, alugar armas nucleares e mostrar a Putin que se um soldado russo pousar um pé na nossa terra, sem ser convidado, vamos atacar. Apenas para sermos claros", disse. 

Vários países, incluindo a Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia atualmente acolhem armas nucleares partilhadas, sob mandato da NATO, mas não há qualquer tradição de emprestar ou alugar as armas.

Na opinião de Walesa, a Polónia deveria dizer: "Senhor Putin, não vamos deixá-lo dar nem mais um passo. Se tentar, vai morrer, e nós também", afirmou.

Lech Walesa foi o responsável pela negociação para o fim pacífico do comunismo no seu país, em 1989. Foi durante a sua presidência, em 1993, que as últimas tropas soviéticas abandonaram a Polónia. Seis anos mais tarde, Varsóvia juntar-se-ia à NATO. 

A Polónia iniciou hoje exercícios militares de larga escala, envolvendo 12.500 tropas, incluindo 750 de outros países da aliança, e que vão durar até 03 de outubro. 

Estas manobras são realizadas a cada dois anos na Polónia, mas neste momento "decorrem com um significado especial, dados os acontecimentos na Ucrânia", disse o ministro da Defesa, Tomasz Siemoniak, na cerimónia de abertura.

Lusa

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