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Centenas de peruanos protestam contra indulto a Fujimori

Centenas de peruanos saíram às ruas de Lima na noite de Natal para protestar contra o indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpria uma condenação de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos.

Os manifestantes, entre os quais familiares das vítimas das mortes por que Fujimori foi condenado, concentraram-se na praça central de San Martín para denunciar o indulto como um ato de impunidade.


Os familiares dos assassinados e desaparecidos anunciaram que irão recorrer a instâncias internacionais para anular o indulto e exigir que Fujimori, de 79 anos, cumpra a totalidade da pena a que foi condenado.


Na manifestação eram visíveis cartazes que qualificavam o indulto como um "insulto" e o Presidente, Pedro Pablo Kuczynski, que concedeu o perdão, como um "traidor" e "cúmplice do criminoso".


Consideraram ilegal a amnistia concedida por Kuczynski, que afirmaram resultar de um pacto político para permitir que o governante possa continuar no poder.


Os manifestantes contestaram a presença de um grande contingente policial no local do protesto e houve mesmo algumas escaramuças.


O Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, anunciou no domingo que concedeu perdão humanitário a Alberto Fujimori após uma junta médica avaliar a situação do antigo chefe de Estado e verificar que este sofre de "uma doença progressiva, degenerativa e incurável".


A mesma estrutura considerou que as condições que o antigo governante tinha na prisão significariam um risco grave para a sua vida, saúde e integridade.


A decisão de Kuczynski foi anunciada três dias depois de o chefe de Estado se salvar da destituição pelo Congresso graças aos votos de abstenção do deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, e de outros nove parlamentares do partido Força Popular, o que foi considerado o início de uma aliança a favor do indulto para Alberto Fujimori.


Kenji Fujimori já tinha, em várias ocasiões, pedido ao chefe de Estado que indultasse o seu pai
A Força Popular, liderada pela filha mais velha do ex-presidente, Keiko Fujimori, tinha anunciado que iria votar a favor da destituição de Kuczynski.


Em menor quantidade, um grupo de simpatizantes de Fujimori concentrou-se frente à clínica onde o ex-presidente está hospitalizado para celebrar a sua libertação.


Os fujimoristas gritaram o nome do ex-presidente e manifestaram apoio aos seus filhos quando entraram na clínica para visitar Fujimori.


Fujimori, Presidente do Peru entre 1990 e 2000, foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão após ser responsabilizado pela-a mortes de 25 pessoas em 1991 e 1992 perpetradas pelo grupo militar encoberto Colina, e pelo sequestro agravado de um jornalista e um empresário em 1992.

Lusa