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Serão os humanos, e não os ratos, os culpados da peste negra?

Esqueletos de vítimas da peste negra descobertos em Paris em março de 2015.

Philippe Wojazer / Reuters

Durante séculos os ratos têm sido apontados como os responsáveis pela disseminação da peste bubónica ou peste negra que matou milhões de pessoas na Europa no século XIV. Um novo estudo vem agora apontar outro culpado.

Acredita-se que a pandemia, que matou entre 75 a 200 milhões de pessoas, seria transmitida por pulgas de ratos, infetadas com a bactéria Yersinia pestis, que morderiam as pessoas e assim a doença se espalhava.

Só entre 1347 e 1351 morreram pelo menos 25 milhões de pessoas, um terço da população europeia.

Mas terá sido o rattus rattus injustamente acusado de espalhar a bactéria mortal?

Uma equipa de cientistas da Universidade de Oslo vem agora afirmar que o primeiro surto foi provocado por parasitas nos seres humanos - como pulgas e piolhos.

Cenários possíveis


Utilizando modelos matemáticos, os cientistas criaram uma lista das características da praga. Por exemplo, a probabilidade de alguém recuperar era de 40%. Um piolho infetado com a bactéria mantinha a capacidade infecciosa durante três dias. Cada pessoa transportava em média seis pulgas e/ou piolhos.

"Temos dados muito fiáveis dos surtos em nove cidades na Europa", disse à BBC o professor Nils Stenseth da Universidade de Oslo.

Com estes parâmetros, os cientistas colocaram três cenários da possível disseminação da doença:

  • os piolhos e as pulgas nas roupas e corpos das pessoas
  • os roedores e os seus parasitas
  • a tosse dos humanos espalhou pelo ar uma versão da doença, a peste pulmonar.

"A conclusão foi clara: os piolhos e as pulgas nos humanos" disseminaram a doença, afirma o professor. "É muito improvável que a doença se espalhasse tão depressa se fosse transmitida pelos ratos".

Mordedura mortal

Quando pulgas infetadas com a bactéria Yersinia pestis mordem os humanos, a bactéria entra no sistema circulatório e aloja-se nos gânglios linfáticos. Estes incham formando bubões negros - daí o nome de peste bubónica ou negra.

A peste negra não é uma doença medieval desaparecida. De acordo com a OMS, entre 2010 e 2015 há registo de 3248 casos pelo mundo, incluindo 584 mortes.

"A peste negra transformou a história da humanidade, por isso é muito importante perceber como se espalhou e porque se espalhou tão depressa", sublinha a autora principal do estudo Katharine Dean, da Universidade de Oslo, em declarações à National Geographic.

O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS).