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Macedónia aceita alterar nome do aeroporto "Alexandre o Grande"

Ognen Teofilovski

O primeiro-ministro macedónio, Zoran Zaev, anunciou esta quarta-feira que aceitou a exigência da Grécia de alterar a designação de "Alexandre o Grande" ao aeroporto internacional de Skopje, após conservações em Davos com o seu homólogo grego, Alexis Tsipras.

"O nosso Governo vai alterar os nomes do aeroporto e da autoestrada, que se vai chamar amizade, para "demonstrar na prática que estamos profundamente empenhados em encontrar uma solução" para o contencioso com a Grécia sobre o nome da Macedónia, afirmou Zaev após mais de três horas de conversações com Tsipras.

A decisão "demonstra a nossa boa vontade, prova que não temos aspirações territoriais face ao nosso vizinho", acrescentou.

No decurso desta disputa, a Grécia garantiu que o pequeno país vizinho, independente desde 1991 na sequência da desagregação da Jugoslávia, apenas fosse admitido na ONU em 1993 com a designação provisória de Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM), e tem bloqueado a aproximação de Skopje à União Europeia e à NATO.

Pouco minutos antes do anúncio de Zaev, Tsipras referiu-se ao desejo de o seu interlocutor "adotar iniciativas importantes" que permitam dissipar as suspeitas de irredentismo alimentadas pela Grécia face ao seu vizinho do norte.

A data da alteração do nome do aeroporto ainda não é conhecida, à semelhança do futuro nome do aeroporto, indicou à agência noticiosa France-Presse (AFP) o porta-voz do Governo macedónio, Mile Bosnjakovski.

No passado domingo, perto de 50 mil pessoas manifestaram-se em Salónica (norte da Grécia) para contestar o uso da palavra "Macedónia" para designar o país.

O protesto em Salónica, capital da província grega Macedónia, foi apoiado por vários grupos nacionalistas gregos, incluindo da extrema-direita como foi o caso do partido Aurora Dourada, alguns sacerdotes e grupos da diáspora.

Este número ultrapassou as estimativas lançadas pela comunicação social grega, que avançou que o protesto iria contar com uma adesão de cerca de 30 mil pessoas, mas muito longe do milhão de pessoas que em 1992 saiu para a rua para contestar.

O protesto de 1992, um ano depois da independência da Macedónia da República Federal Socialista da Jugoslávia, marcou também o início da crise diplomática entre Atenas e o seu vizinho dos Balcãs, que atualmente se desdobraram em esforços diplomáticos para resolver este diferendo que dura há 26 anos.

No início de janeiro, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, admitiu que o contencioso poderia ser solucionado no primeiro semestre de 2018.

"Existe uma possibilidade de solução caso sejam sinceras as intenções dos nossos vizinhos. Os próximos dias vão esclarecer se podemos dar um passo decisivo", disse Tsipras durante o primeiro conselho de ministros de 2018, numa alusão às reuniões bilaterais previstas para as próximas semanas.

O primeiro-ministro helénico assinalou então que a eventual resolução do conflito significará "o início de uma nova era de cooperação e de paz nos Balcãs".

Em paralelo, e numa entrevista concedida à televisão privada grega ALPHA, o primeiro-ministro macedónio, Zoran Zaev, frisou o seu desejo de pôr termo a esta prolongada disputa e reafirmou que não considera da herança de Alexandre o Grande (Alexandre Magno) exclusiva do seu país.

"Julgo que Alexandre o Grande deve ser o elemento que nos une e não um tema de divisão", assinalou, numa referência a um dos principais contenciosos entre os dois países vizinhos e relacionada com a herança cultural do antigo reino macedónio (século IV a. C.). Zaev reafirmou ainda que a prioridade de Skopje consiste na adesão à UE e NATO.

O social-democrata, que venceu as eleições de junho de 2017 face ao seu adversário conservador Nikola Gruevski, reafirmou em diversas ocasiões o desejo de relançar o diálogo entre os dois países.

Lusa