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Havai proíbe protetores solares que prejudiquem corais

David Gray

O Havai vai ser o primeiro estado americano a proibir a venda de protetores solares que contenham os químicos oxibenzona e metoxicinamato de octila, conhecidos por causar danos aos corais.

Estes químicos foram identificados em mais de 3 500 produtos solares e alguns cientistas afirmam que contribuem para o branqueamento dos corais.

A lei, que aguarda apenas a assinatura do governador democrático David Ige, deverá entrar em vigor no ano de 2021.

A proposta foi apresentada pelo senador Mike Gabbard, que pretende que estes produtos deixem de ser vendidos sem prescrição médica. "Isto fará uma diferença enorme na proteção dos nossos corais, da vida marinha e da saúde humana", explicou.

No documento é referido que os químicos matam os corais em desenvolvimento, contribuem para o seu branqueamento e provocam "danos genéticos a outros organismos marinhos".

Ao Washington Post, um dos cientistas que estuda este fenómeno explicou em 2015 que "qualquer esforço, por mais pequeno que seja, de reduzir a poluição por oxibenzona significa a sobrevivência de um coral por mais tempo". Mas a opinião não é unânime, e há cientistas que duvidam do impacto da medida.

"Banir protetores solares não vai solucionar problemas como anomalias na temperatura, pesca excessiva e o escoamento que polui os recifes", afirmou Jorg Wiedenmann, investigador do laboratório de Recifes Corais da Universidade de Southampton no Reino Unido.

A Associação Médica do Havai discorda da medida, por falta de provas de que os protetores solares prejudiquem a vida marinha, e pelo seu papel fundamental na luta contra o cancro de pele.

As praias do Havai recebem mais de oito milhões de turistas por ano, e cerca de 12 mil toneladas métricas de protetor solar acabam nos recifes.

No Twitter, o senador Will Espero escreveu "o Havai é o primeiro estado a aprovar uma lei desta magnitude. (…) Preserve e proteja o nosso oceano!".