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UE insta afegãos a aproveitar "oportunidade única" de cessar-fogo

A União Europeia considerou esta terça-feira que o cessar-fogo proposto pelo Presidente afegão constitui "uma oportunidade única" para travar a violência no Afeganistão e instou todas as partes, "a começar pelos talibãs", a empenharem-se no processo de paz.

"O cessar-fogo condicional de três meses proposto pelo Presidente Ashraf Ghani oferece uma oportunidade única para travar a violência em curso no Afeganistão, se todas as partes envolvidas no conflito, a começar pelos talibãs, mostrarem a determinação e a coragem política necessárias para respeitar esta oferta", lê-se numa declaração hoje divulgada pelo Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), o corpo diplomático da União Europeia.

De acordo com o serviço de porta-vozes do SEAE, "um cessar-fogo respeitado por todos iria ao encontro do desejo de paz de todos os afegãos, tal como ficou claramente demonstrado durante o anterior cessar-fogo", sendo que "a libertação de prisioneiros pelos talibãs também constituiria um importante passo em frente"."A UE acredita em decisões tomadas e assumidas pelos afegãos, e está pronta a apoiar iniciativas que abram a caminho a um Afeganistão pacífico. Todas as partes e parceiros envolvidos, particularmente os regionais, devem aderir sem ambiguidades aos esforços em favor da paz e da reconciliação", conclui o corpo diplomático da UE, liderado pela Alta Representante para a Política Externa, Federica Mogherini.

No passado domingo, o Presidente afegão, Ashraf Ghani, anunciou um cessar-fogo com os talibãs, a partir de segunda-feira e durante três meses, ressalvando que a trégua só avança caso o grupo faça o mesmo.

O último cessar fogo entre o Governo do Afeganistão e os talibãs ocorreu em junho para celebrar o final do Ramadão.

Em 09 de agosto, os talibãs lançaram um ataque à cidade de Ghazni, provocando a morte de pelo menos 100 membros das forças de segurança. Já hoje, pelo menos quatro atacantes barricaram-se num local próximo da presidência afegã, em Cabul, e, quatro horas depois do início de um ataque com mísseis, continuam a trocar disparos com as forças de segurança."O ataque ainda não terminou, continuam combates na zona. O tiroteio não é intenso, mas estão a ser disparados tiros esporádicos entre as forças de segurança e os atacantes", disse um porta-voz da polícia de Cabul, Hashmat Stanekazi, precisando que há "entre quatro e seis" insurgentes.

O ataque começou cerca das 09:00 locais (05:30 em Lisboa), no momento em que o Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, discursava por ocasião da comemoração muçulmana do Eid al-Adha, a "festa do sacrifício".

Lusa