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Refugiados sírios voltam para casa após acordo russo-turco

YOUSSEF BADAWI

Milhares de sírios que fugiram dos bombardeamentos na província de Idlib e arredores voltaram às suas localidades após o anúncio de um acordo russo-turco sobre o último grande bastião rebelde da Síria, disse esta quarta-feira uma ONG.

Mais de 30.000 pessoas abandonaram as suas casas nas últimas semanas, fugindo aos tiros de artilharia das forças do regime e aos ataques aéreos do seu aliado russo na província, que, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mataram dezenas de civis.

Na segunda-feira, Rússia e Turquia anunciaram a criação de uma "zona desmilitarizada" em Idlib, afastando assim a perspetiva de uma ofensiva.

Depois do anúncio, "perto de 7.000 deslocados regressaram às suas localidades, sobretudo no sudeste de Idlib e no norte de Hama (província vizinha)", disse hoje o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane.

Algumas das localidades encontram-se na futura zona desmilitarizada, a ser criada até 15 de outubro.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou na terça-feira o acordo russo-turco, considerando que permite "um alívio a milhões de civis".

O chefe da diplomacia da Turquia, Mevlut Cavusoglu, salientou por seu turno que o acordo assegura a continuidade da oposição moderada ao regime de Bashar al-Assad, permitindo aos civis e rebeldes antigovernamentais (apoiados por Ancara), permanecerem na zona desmilitarizada e manterem armas ligeiras.Grupos da oposição armada síria mostraram-se hoje satisfeitos com o acordo, embora cautelosos.

O líder da fação Exército da Vitória, Abdel Muin al Masri, cujo grupo integra o Exército Livre da Síria, disse à agência noticiosa espanhola EFE, num contacto telefónico, que os rebeldes estão satisfeitos com o acordo, mas continuam "armados e preparados".

"Sabemos que pode acontecer que não o cumpram", explicou, adiantando que o seu principal objetivo é "a segurança dos sírios e o fim do regime"."Não aceitaremos nada que não dê resposta a estes dois pontos", disse Al Masri.

Naji Abu Huzaifa, porta-voz da Frente Nacional para a Libertação, que integra grupos da oposição a Bashar al-Assad, considerou o acordo "um êxito" para a diplomacia turca, adiantando que pode parar a ofensiva contra Idlib.

Situada na fronteira com a Turquia, a província de Idlib conta com cerca de três milhões de habitantes (incluindo um milhão de crianças), metade dos quais já fugiram de outras zonas do país.

A guerra na Síria, desencadeada em 2011, já matou mais de 360.000 pessoas, segundo o último balanço do OSDH.

Lusa