Mundo

O que está a mudar na Arábia Saudita

Ahmed Jadallah

A luta contra a discriminação de género e as reformas na cultura continuam a dar largos passos, na Arábia Saudita. A mais recente novidade é que, pela primeira vez, uma mulher foi autorizada a apresentar as notícias, na televisão estatal. Desde as mulheres que já podem conduzir ao regresso do cinema, saiba o que está a mudar no país conservador.

As mulheres já podem apresentar o noticiário

A jornalista Weam Al-Dakheel tornou-se a primeira mulher a apresentar o noticiário da noite, na televisão estatal.

Segundo The Times of Israel, a mulher saudita já tinha trabalhado no Al-Arab News Channel, no Bahrain, e na CNBC Arábia. Esta semana, assumiu o papel de co-pivot com o apresentador Omar Al-Nashwan, no noticiário das 21:30.

As mulheres já podem conduzir

A Arábia Saudita era até agora o único país do mundo que proibia as mulheres de conduzir. Mas parte da mentalidade mudou e com isso mudou também a lei.

No dia 25 de setembro de 2017, foi publicado um decreto real que autorizava as mulheres sauditas a conduzir. O rei Salman ordenou que fosse "permitido entregar cartas de condução às mulheres na Arábia Saudita".

A lei entrou em vigor este ano. Desde março, as mulheres começaram a ter aulas de condução e, em junho, foram entregues as primeiras cartas de condução.

A nova lei não permitiu apenas a condução de automóveis, mas também de motas e camiões. A Direção-Geral de Circulação Saudita afirmou, na altura, que as idades mínimas as mulheres conduzirem motas e camiões eram de 18 e 20 anos, respetivamente.

As mulheres sauditas invadiram as estradas a partir de 24 de junho, acabando com uma reforma histórica no país conservador.

A partir do momento em que a lei foi mudada, empresas começaram a trabalhar para oferecer serviços dedicados às mais recentes condutoras. Uma empresa privada abriu em Jidá o primeiro salão automóvel para as mulheres.

Já a Uber começou a recrutar mulheres na Arábia Saudita, assim como a Careem, uma empresa similar, com sede no Dubai.

As mulheres já podem ir a estádios de futebol

STR

Em 2017, o país anunciou que iria autorizar as mulheres a assistir a acontecimentos desportivos em três estádios, a partir deste ano. A permissão abrange os estádios das três maiores cidades do país: Riade, Jidá e Damman.

STR

STR

Na mesma linha desportiva, foi anunciada ainda a criação de aulas de educação para as meninas.

O país volta a ter salas de cinema

Depois de 35 anos de interdição, a Arábia Saudita autorizou a abertura de salas de cinema.

As autoridades do reino saudita anunciaram também que iam dar início aos processos de exploração das salas de cinema. No quadro de reformas defendido pelo príncipe herdeiro, Mohamed bem Salmane, segundo a Lusa, o Governo pretende promover os espetáculos e outras formas de divertimento no reino apesar da oposição das forças ultraconservadoras.

"A Pantera Negra" foi o filme eleito para pôr fim à longa proibição, no país. A sessão especial foi vista por membros do governo e profissionais da indústria no cinema "King Abdallah", uma antiga sala de concertos em Riade.

O país volta a transmitir um concerto na televisão estatal

No final de 2017, uma estação da televisão estatal do país emitiu um concerto pela primeira vez, desde 1979, rompendo assim com as normas que até então proibiam a música não religiosa.

O concerto foi transmitido pelo canal Al Zaqafiya, que pertence ao Ministério da Cultura, e foi um recital da egípcia Um Kulzum, falecida em 1975 e considerada como a diva da canção árabe.

O (ainda longo) caminho a percorrer

Apesar de todos estes progressos, que apostaram na igualdade de géneros e na cultura, há ainda muitas restrições no país conservador. As mulheres não podem, por exemplo, viajar para o estrangeiro ou abrir uma conta bancária sem a autorização de alguém do sexo masculino. Além disto, as mulheres devem estar sempre acompanhadas, em público, por um homem, como o pai, o marido ou um familiar.

No ano passado, as autoridades detiveram um adolescente por dançar a Macarena numa passadeira, na cidade de Yeda. Também em 2017, a polícia saudita deteve uma jovem que usou uma minissaia em público e que divulgou um vídeo do sucedido. Mais tarde, libertaram sem acusação a jovem mulher.

No mês passado, a organização não-governamental Amnistia Internacional denunciou que três ativistas dos direitos das mulheres cumpriram 100 dias de prisão na Arábia Saudita, sem que as autoridades tenham feito acusações formais.

  • O 1º dia que as mulheres sauditas puderam conduzir
    2:31

    Mundo

    As mulheres da Arábia Saudita têm, a partir de hoje, autorização para conduzir. Era o único país do mundo onde esse direito era vedado às mulheres que hoje acabou com uma reforma histórica neste país ultraconservador, levada a cabo pelo príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman.

  • Mulheres na Arábia Saudita vão poder conduzir a partir de domingo
    1:40

    Mundo

    As mulheres vão poder conduzir na Arábia Saudita a partir do próximo domingo. Têm de passar por exames de código, condução e mecânica antes de saírem para a estrada, mas já são vários os locais com simuladores e provas de karting para que possam ir praticando. No entanto, a decisão do rei Salman tem sido contestada pelos ultraconservadores e radicais islâmicos do país. A Arábia Saudita era o único país do mundo onde as mulheres ainda não podiam conduzir