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Havana pede cancelamento de reunião na ONU sobre presos políticos cubanos

Yander Zamora

Uma reunião agendada para terça-feira pelos Estados Unidos na ONU para falar sobre os presos políticos cubanos está a gerar fortes críticas de Havana, com as autoridades cubanas a pedirem o cancelamento imediato do encontro.

O encontro visa "lançar na ONU uma campanha sobre os presos políticos em Cuba", destacou o Departamento de Estado norte-americano, num comunicado citado hoje pelas agências internacionais.

"Os 130 presos políticos detidos pelo governo cubano são um sinal explícito da natureza repressiva do regime e representam uma afronta flagrante às liberdades fundamentais que sustentam os Estados Unidos e muitos outros governos democráticos", indicou a nota informativa da diplomacia norte-americana.

A reunião está a agendada para um grande salão no edifício da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, normalmente utilizado para discutir questões económicas e sociais.

Entre os intervenientes previstos, figuram o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e o ex-preso político cubano Alejandro Gonzalez Raga.

A reação de Havana ao encontro surgiu através de um comunicado da missão cubana junto das Nações Unidas.

"Cuba condena e rejeita nos termos mais fortes esta nova ação anti-cubana por parte do governo dos Estados Unidos (EUA)", referiu a nota da missão cubana, pedindo diretamente à liderança da ONU, assumida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para cancelar o encontro.

Havana "espera que o secretariado da ONU imponha as regras, atue de acordo com a Carta das Nações Unidas e cancele o evento", frisou a representação cubana, classificando o encontro como "uma piada política do pior gosto".

Segundo as autoridades cubanas, a reunião promovida por Washington "é o início de uma campanha insultuosa e falaciosa contra Cuba".

Cuba nega regularmente a detenção de presos de cariz político, assegurando que as pessoas estão detidas por delitos comuns.

Na sua página oficial na Internet, a ONU destaca que as reuniões e os eventos propostos para serem organizados nas suas instalações "devem estar em conformidade com os propósitos e os princípios das Nações Unidas e não devem ser de natureza comercial".

As relações bilaterais entre Washington e Havana, restabelecidas em julho de 2015 durante a administração do Presidente Barack Obama (democrata) após uma suspensão de mais de meio século, vivem atualmente sob a Presidência de Donald Trump (republicano) um período de esfriamento.

Lusa