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Candidato à câmara de Barcelona defende que ser "republicano não é opor-se à monarquia"

Albert Gea

O antigo primeiro-ministro francês e candidato à presidência da câmara municipal de Barcelona, Manuel Valls, defendeu esta segunda-feira que ser "republicano não é opor-se à monarquia", mas sim à "tirania".

Valls também realçou a necessidade de haver um diálogo dentro da lei para superar o "beco sem saída" provocado pelos "secessionistas" catalães.

O antigo primeiro-ministro francês apresentou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, o seu livro "Barcelona, voltar a casa", e responsabilizou a atual presidente da câmara de Barcelona, Ada Colau, pela situação de "deterioração" que, em sua opinião, vive a capital da Catalunha, assim como o processo soberanista.

Interrogado sobre o que pensa, como republicano, da reprovação do rei Felipe VI aprovada no parlamento regional e, em seguida, pela câmara municipal de Barcelona, afirmou: "Hoje [segunda-feira], ser um republicano no mundo, na Europa e em Espanha não é opor-se à monarquia, é opor-se à tirania. Ser um republicano é defender alguns valores que estão na Constituição de 78".

Manuel Valls acrescentou que Espanha é um "grande país democrático", como também o são a Dinamarca ou a Suécia, onde também há regimes monárquicos, e contrapôs que a Venezuela é uma República.

O candidato condenou Ada Colau pela posição que assumiu e defendeu que, quando se é presidente da autarquia, se deve "defender a Barcelona de todos", a da democracia, das leis e das regras do jogo.

O antigo primeiro-ministro francês anunciou em 25 de setembro a sua candidatura à presidência da câmara municipal de Barcelona, a segunda maior cidade espanhola, uma decisão inédita e arriscada que está a animar o debate político na Catalunha.

A apresentação de uma candidatura à liderança de Barcelona, depois da carreira política que teve em França, é uma decisão inédita na União Europeia, onde qualquer cidadão se pode apresentar nas eleições autárquicas de outro país desde a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, em 1 de novembro de 1993.

Desde o fracasso das suas ambições nas eleições presidenciais de 2017 em França, Manuel Valls multiplicou as suas aparições em reuniões e manifestações contra o separatismo catalão, que teve o seu ponto mais alto em outubro de 2017 quando tentou ganhar a independência da região.

Até agora, apenas recebeu o apoio do Cidadãos (direita liberal), um partido que defende a unidade de Espanha, que foi o mais votado nas eleições da Catalunha realizadas em dezembro de 2017, mas que não conseguiu impedir a formação de um Governo independentista.

Nascido em Barcelona em 1962, filho de pai catalão e mãe suíço-italiana, Manuel Valls cresceu em Paris e naturalizou-se francês aos vinte anos.

Lusa

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