Mundo

Casa Branca diz que se defenderá "vigorosamente" de processo da CNN

A má relação entre o Presidente dos Estados Unidos e alguns órgãos de comunicação social atingiu um patamar inédito. Trump acusou um jornalista da CNN de ser uma pessoa horrível e mandou-o calar-se. A Casa Branca anunciou entretanto que tirou as credenciais ao referido jornalista, que acusa agora de ter agido de forma inadequada com uma funcionária que lhe queria tirar o microfone. O episódio aconteceu quando Trump foi questionado sobre a caravana de migrantes que se dirige para a fronteira entre o México e os Estados Unidos.

ERIK S. LESSER / EPA

A Casa Branca assegurou esta terça-feira que se defenderá "vigorosamente" da queixa apresentada pela cadeia de televisão CNN, que acusou a administração Trump de violar o direito à liberdade de imprensa ao retirar a acreditação a um jornalista.

"É apenas uma nova chamada de atenção da CNN e defender-nos-emos vigorosamente contra este processo", reagiu o Governo em comunicado. A cadeia de televisão norte-americana CNN anunciou hoje que processou a administração Trump, exigindo a restituição da acreditação para a Casa Branca ao jornalista Jim Acosta.

A acreditação de Jim Acosta como correspondente da CNN na Casa Branca foi revogada na semana passada na sequência de um confronto verbal entre o Presidente Donald Trump e o repórter. No comunicado, a administração alega que há outros 50 jornalistas do canal de notícias que estão acreditados para cobrir a residência oficial e que Acosta "não é nem menos nem mais especial do que qualquer outro repórter".

A Casa Branca sublinhou que Trump respondeu a duas perguntas do jornalista e insistiu que a decisão de lhe vedar o acesso está relacionado com o facto de ter "respondido fisicamente" quando uma funcionária tentou tirar-lhe o microfone.

"A Primeira Emenda (da Constituição referente à liberdade de imprensa) não se aplica quando um único repórter, entre mais de 150 presentes, tenta monopolizar o auditório", assinalou a administração.

"A indevida revogação das acreditações da CNN e de Acosta viola os seus direitos de liberdade de imprensa e de um processo justo", consagrados na Primeira e Quinta emendas da Constituição norte-americana, considerou hoje a própria CNN, anunciando, em antena, que processou a administração norte-americana.

O processo visa o Presidente Donald Trump e cinco membros da sua equipa, nomeadamente o chefe de Gabinete, John Kelly; a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders; o chefe adjunto de Comunicação, Bill Shine; o diretor dos Serviços Secretos, Joseph Clancy, e um agente anónimo do mesmo serviço.

O processo foi intentado na jurisdição de Washington e a CNN exige "a restituição imediata da acreditação" ao jornalista.

A administração Trump revogou, na semana passada, no rescaldo das eleições intercalares norte-americanas, a acreditação do correspondente da CNN após uma tensa conferência de imprensa em que Acosta recusou devolver o microfone quando o Presidente norte-americano o mandou calar.

Trump chamou a Acosta "rude e mal-educado" e um agente dos Serviços Secretos pediu a acreditação ao repórter quando este deixou a Casa Branca.

Donald Trump tem uma relação conflituosa com a cadeia de televisão, que acusa constantemente de ser a encarnação do fenómeno 'fake news'.

A Associação de Correspondentes da Casa Branca emitiu um comunicado a expressar "forte apoio" à ação judicial da CNN, denunciando a decisão do Governo como uma "reação desproporcionada aos factos" que ocorreram na passada quarta-feira.

Lusa

  • "Plástico nosso de cada dia"
    29:35
  • Brincar ao ar livre como remédio natural
    0:21
  • Como não gastar dinheiro com os números começados por 707
    6:46