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Washington pede inquérito sobre presumível ataque químico na Síria

O Pentágono apelou terça-feira à Rússia para permitir um inquérito independente no local do presumível ataque químico de sábado na cidade síria de Alepo, sob controlo do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad.

O regime de Assad acusou "grupos terroristas" de terem levado a cabo no sábado à noite, em três bairros de Alepo, um ataque com "gás tóxico" que provocou uma centena de casos de asfixia e desencadeou no domingo ataques aéreos de retaliação da aliada Rússia.

Damasco pediu oficialmente à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OIAC), com sede em Haia, para abrir um inquérito ao presumível ataque, mas o Pentágono teme que o regime tente eliminar os vestígios do ataque e o utilize como pretexto para lançar uma ofensiva a Idlib, último bastião rebelde na Síria, atualmente protegido no âmbito de uma trégua negociada entre Moscovo e Ancara.

"É essencial assegurarmo-nos de que o regime sírio não utiliza falsos pretextos para fragilizar o cessar-fogo e lançar uma ofensiva sobre Idlib", indicou em comunicado um porta-voz do Pentágono, o capitão Sean Robertson.

"Nós advertimos a Rússia de que não deve tocar no local de um ataque químico e instamo-la a garantir a segurança dos especialistas da OIAC, para que tais acusações possam ser alvo de um inquérito justo e transparente", acrescentou.

"Apelamos para uma inspeção imediata do local presumível pelos inspetores internacionais, com a liberdade de interrogar todas as pessoas envolvidas e de recolher todas as provas sem entraves", concluiu.

Ao longo do conflito, o regime sírio foi acusado pelas Nações Unidas e pelas capitais ocidentais de fazer uso de armas químicas, o que sempre desmentiu.

Em abril, as forças governamentais foram acusadas de um ataque químico na Ghouta Oriental, ex-bastião rebelde às portas de Damasco, que tinha feito 40 mortos civis segundo as equipas de socorro em zonas rebeldes.

Como retaliação, os ocidentais realizaram ataques aéreos contra alvos das forças do regime de Assad.

Na altura, o regime e a Rússia, sua aliada, impediram durante vários dias os inspetores da OIAC de se aproximarem do local do alegado ataque.

Lusa

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