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Soldado turco morto na região síria de Afrine por milícias curdas

O militar turco foi atingido por disparos da milícia curda Unidades de Proteção do Povo.

Um soldado turco foi esta quinta-feira morto na região de Afrine, na Síria, por disparos de uma milícia curda síria, informou o Ministério da Defesa turco.

O militar turco foi atingido por disparos da milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG) provenientes da localidade vizinha de Tal Rifat, situada a leste de Farine, precisou o ministério em comunicado.

O exército turco ripostou com disparos sucessivos em direção a Tal Rifat, acrescenta o ministério.

A cidade de Farine foi conquistada em março pelo exército turcos e milícias aliadas sírias e a consequente retirada das YPG, que Ancara considera um grupo terrorista com ligações ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que desencadeou em 1984 uma violenta guerra de guerrilhas no sudeste da Turquia.

Este incidente ocorreu após o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ter ameaçado na quarta-feira desencadear "nos próximos dias" uma nova ofensiva na Síria contra as YPG, e que poderão motivar novas tensões com o aliado norte-americano.

Caso se concretize, seria a terceira ofensiva desencadeada pela Turquia na Síria, onde já interveio no início de 2016 e no início de 2018 para rechaçar das suas fronteiras o grupo jihadista Daesh e os combatentes curdos das YPG.

Esta milícia curda é a formação decisiva das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coligação árabe e curda apoiada pelos Estados Unidos no seu combate ao Daesh.

A colaboração entre Washington e as YPG tem constituído um dos principais pontos de conflito nas relações turco-norte-americanas.

Ao reagir às declarações de Erdogan, o capitão Sean Robertson, um dos porta-vozes do Pentágono, sublinhou na quarta-feira que "uma ação unilateral (...) numa zona onde pode estar presente pessoal norte-americano é muito inquietante".

"Considerámos inaceitável semelhante ação", acrescentou.

As ameaças de Erdogan surgiram um dia após o anúncio por Washington da instalação, apesar da firme oposição de Ancara, de postos de observação destinados a impedir confrontos armados entre o exército turco e as YPG.

Lusa