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Tribunal alemão recusa levar a julgamento alegado guarda de campo de concentração nazi

Hans Werner H., de 95 anos, é acusado de ter trabalhado como guarda das SS no campo de concentração de Mauthausen, Áustria.

Um tribunal alemão recusou levar a julgamento um nonagenário que alegadamente foi guarda num campo de concentração nazi, justificando a decisão com a ausência de provas razoáveis que sustentem as acusações contra o homem, foi hoje divulgado.

Hans Werner H., de 95 anos, cujo apelido não foi divulgado devido às leis da privacidade, é acusado de ter trabalhado como guarda das SS (organização paramilitar nazi) no campo de concentração de Mauthausen, no norte da Áustria, entre meados de 1944 e o início de 1945.

O nonagenário é acusado de mais de 36.000 crimes de cumplicidade em homicídio. Apesar de não ser acusado do crime de homicídio específico, o Ministério Público argumenta que o nonagenário, na qualidade de guarda, ajudou no funcionamento daquele campo de concentração.

Segundo noticiou hoje a agência norte-americana Associated Press (AP), o tribunal estadual de Berlim tomou esta decisão na quinta-feira e o Ministério Público já recorreu da decisão.

A instância judicial tem dúvidas em relação às provas que colocam o suspeito em Mauthausen.Num depoimento, o homem admitiu ter sido membro das SS, mas garantiu que nunca esteve naquele campo de concentração.

Hans Werner H. precisou que trabalhou por um curto período de tempo como guarda em outro campo e numa fábrica de armamento na cidade austríaca de Linz.

Também forneceu documentos que indicavam que estava a prestar serviço numa missão de combate durante o período em que é acusado de estar a trabalhar no campo de concentração de Mauthausen.

No total, estima-se que cerca de 95.000 pessoas morreram no complexo do campo de Mauthausen, entre as quais 14.000 judeus, mas também prisioneiros de guerra soviéticos, espanhóis que combateram contra o general Francisco Franco na Guerra Civil de Espanha e outros.

Na Alemanha, jurisprudência produzida nos últimos anos sustenta que antigos guardas de campos nazis podem ser acusados de cumplicidade em homicídio, mesmo que não haja provas de que participaram num homicídio específico.

Lusa