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Dezoito detidos em protestos na Tunísia após jornalista se imolar pelo fogo

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Os protestos degeneraram em confrontos com a polícia em várias regiões do país nos últimos dois dias.

Dezoito pessoas foram detidas durante protestos na Tunísia motivados pela morte de um jornalista que se imolou pelo fogo contra as difíceis condições de vida em Kasserine, centro-oeste do país, disse fonte governamental.

O porta-voz do Ministério do Interior tunisino, Sofiane Zaag, disse que 13 pessoas foram detidas na cidade de Kasserine e outras cinco em Tebourba, perto de Tunes.

Os protestos degeneraram em confrontos com a polícia em várias regiões do país nos últimos dois dias, depois de o jornalista Abdel Razzaq Zorqui ter divulgado um vídeo na Internet, antes de se imolar em Kasserine.

No vídeo, o jornalista de 32 anos, operador de câmara num canal privado, descrevia o seu desespero com o incumprimento das promessas nascidas da "primavera árabe" de 2011 e apelava para uma revolta.

Zorqui, que morreu na segunda-feira no hospital para onde foi levado depois de se imolar numa praça da cidade, criticava o desemprego e a degradação da situação económica em Kasserine, cidade capital da província com o mesmo nome, a cerca de 270 quilómetros de Tunes, e uma das regiões mais pobres do país.

"Pelos filhos de Kasserine que não têm meios de subsistência, hoje vou começar uma revolução, vou imolar-me pelo fogo", afirmou no vídeo.

A morte de Zorqui deu origem, desde a noite de segunda-feira, a manifestações que degeneraram em violência, com a polícia a disparar granadas de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que bloquearam ruas e lançaram pedras à polícia.

Kasserine foi uma das primeiras cidades que no final de 2010 organizaram as manifestações que acabaram por alastrar a todo o país e dar origem à Revolução de Jasmim de janeiro de 2011.

Na origem dos protestos de então esteve a imolação pelo fogo de um jovem vendedor ambulante da cidade de Sidi Bouzid, capital da província vizinha de Kasserine, em protesto pela pobreza, a corrupção e a repressão.

A transição política para a democracia na Tunísia é apontada como o único caso bem-sucedido das chamadas "primaveras árabes", mas o país continua sem conseguir superar a crise económica, marcada por uma taxa de desemprego que atinge 35% entre os jovens.

Lusa