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Jornalistas paquistaneses preocupados com crescente censura no país

Akhtar Soomro

Jornalistas acusam os militares e a principal agência de serviços secretos paquistanesa (ISI) de pressionar os "media" para anular a cobertura crítica.

Vários jornalistas paquistaneses, alguns dos quais espancados e detidos em busca de uma imprensa livre, dizem enfrentar hoje uma forma de censura mais subtil, mas não menos assustadora, liderada pelos serviços de segurança do país.

Jornalistas e defensores da liberdade de imprensa acusam os militares e a principal agência de serviços secretos paquistanesa (ISI) de pressionar os 'media' para anular a cobertura crítica, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).

O governo recém-eleito está, ao mesmo tempo, a cortar o orçamento à publicidade, apertando numa fonte chave de receitas para jornais privados e estações de televisão.

Qazi Salauddin, um veterano jornalista paquistanês que testemunhou sucessivos períodos de ditadura militar, disse que a censura de hoje é a pior que já existiu.

"Hoje não sabemos o que vai incomodá-los", disse, citado pela AP, referindo-se aos militares.

"Hoje temos que fazer uma autocensura, o pior tipo de censura, porque é feita à base do medo", sublinhou.

O 'site' Urdu Voice of America, financiado pelo Governo norte-americano, foi encerrado depois de relatar operações militares nas regiões fronteiriças com o Afeganistão.

A rádio Mashaal, afiliada à Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade, também fechou.

O jornalista Cyril Almeida foi acusado de traição depois de publicar uma entrevista com Nawaz Sharif, na qual o ex-primeiro-ministro acusou o exército paquistanês de ajudar os militantes que realizaram os ataques de Mumbai em 2008.

As redes sociais também não escapam: recentemente, as autoridades pediram ao Twitter para suspender várias contas e submeteram milhares de pedidos ao Facebook para retirar páginas, por razões que vão desde críticas aos militares até à propagação do ódio e insulto ao Islão.

Taha Siddiqui, um 'blogger' e jornalista crítico dos serviços de segurança, vive em exílio em França após um atentado contra a sua vida no início deste ano, que o próprio atribui aos serviços secretos.

No entanto, o ministro da Informação paquistanês, Fawad Chaudhry, nega que o governo esteja a reprimir as liberdades de imprensa, afirmando que o executivo só age para impedir o incitamento à violência.

"O Paquistão tem os 'media' mais livres possíveis, os 'media' poderosos criticam o Governo e até mesmo as agências e o estabelecimento do exército à sua vontade", disse Chaudhry à Associated Press.

"O incitamento ao ódio é a única área em que interferimos", frisou.

Lusa

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